CARTA-DOSSIÊ : de CARLOS para DOM LUCAS (01/08/1997)_#229#

Carta-dossiê


de:

CARLOS EDUARDO DA SILVA




para:

D. Frei LUCAS MOREIRA NEVES



Salvador - Bahia

Preâmbulo

No dia 15 de julho, aproximadamente às 19 horas, estava eu no portão, do lado de fora da Residência Arquiepiscopal, tomando informações com o porteiro, sobre se Dom Lucas estava e de como poderia falar-lhe, e eis que o próprio Cardeal chegou, de carro, sentado no banco de trás... Nos cumprimentamos rapidamente, mas não pude entrar. E não creio que Ele tenha me reconhecido. Bem... Eu deveria telefonar no dia seguinte para falar com a Secretária a qual me informaria sobre tal possibilidade – respondeu o porteiro. Claro! São os trâmites normais para se poder falar com uma Autoridade... Voltando para casa, concluí que fora melhor assim, pois que então nasceu a idéia de uma carta, na qual eu pudesse refletir e falar tudo o que eu quisesse e sem pressa... Ei-la, pois! Espero que a mesma possa vir a resultar, tão breve, numa audiência frutuosa.



Salvador, 1º de agosto de 1997.

Eminentíssimo Senhor Cardeal

DOM FREI LUCAS MOREIRA NEVES

ARQUIDIOCESE DE SÃO SALVADOR DA BAHIA

Residência Arquiepiscopal - Campo Grande

Salvador - Bahia





Identificação pessoal

Eu, CARLOS EDUARDO DA SILVA, 42 anos, ex-seminarista, casado há 7 anos, pai de 3 filhos, encontrando-me atualmente ainda em uma espécie de “crise existencial”, vem, por meio desta, solicitar a V. Emcia. suas orações e seu conselho apostólico, a fim de que eu possa discernir melhor a vontade de Deus a meu propósito. Peço também sua ajuda e apoio, no que for possível, para o superamento da mesma e das dificuldades maiores.

Para que V. Emcia. possa melhor avaliar minha situação, refleti que seria melhor transformar a idéia inicial de uma simples carta pedindo uma audiência, a fim que eu pudesse lhe falar pessoalmente sobre essa minha atual crise, em uma, digamos, “carta-dossiê” para melhor colocar em Suas mãos o meu depoimento mais amplo e cópias de alguns documentos inerentes ao meu contexto. Creio que desta forma V. Emcia. terá um farto material para melhor entender minha situação e, assim, poder melhor ajudar-me e aconselhar-me futuramente.



MINHA HISTÓRIA VOCACIONAL

Minha família

Sou o 6º filho, dentre nove (6 mulheres e 3 homens: MARA, AURORA, LUIZA, TEREZINHA, LUIZ, CARLOS, BELINHA, JOTA E MÊRE), do meu pai (PEDRO M. DA SILVA) e minha Mãe (ROSEDETE MARIA DA CRUZ E SILVA). Quando eu tinha 6 anos minha mãe faleceu... Meu pai casou-se novamente e, com minha madrasta (EDITE ROCHA DA SILVA), ganhei mais 3 irmãs e 2 irmãos: (TONHO, MÉA, NEIDE, ÊNI, JUNINHO). Todos vivos, graças a Deus! Meu pai, no entanto, já está bem velho, quase caducando...

Meu nome

Todavia foi através de uma carta de meu pai, que ele escrevera 24 anos após o meu nascimento, que eu fiquei sabendo sobre a origem do meu nome.

O seu nome foi dado em atenção a D. Eduardo — Bispo de Ilhéus, um santo que me cumulou de favores, a tal ponto que fui levado a por em um filho, o seu nome. Mas como, ao seu nascimento, a folhinha marcava — CARLOS, São Carlos, de comum acordo resolvemos juntar o útil ao agradável e lhe chamei de CARLOS EDUARDO, nome que levei à pia batismal, na época pedindo a Deus que lhe iluminasse o espírito e o fizesse um santo, como o zeloso epíscopo da “Princesa do Sul” - Ilhéus. D. Eduardo é um santo que só falta a honra dos altares. Que ele o inspire, o ampare e o fortaleça nos embates do espírito.” (Itamaraju, 5 de novembro de 1979).

E, da Alemanha, minha amiga U. Comann, me informou: “Envio as minhas felicitações as mais cordiais por motivo da festa de São Carlos, santo onomástico de você. Ele era um bispo muito bom — que ele reze por você!” (Wesseling, 01/11/88).

A idéia de ser padre...

Nasci em Correntina-BA, diocese de Bom Jesus da Lapa, no dia 25 de março de 1955 - festa da Anunciação; e fui batizado no dia 15 de agosto - festa da Assunção. Quando minha mãe ainda era viva, eu dizia que queria ser padre... Não sei que compreensão eu tivesse sobre o ser “padre”, mas o certo é que minha mãe levou a sério a ponto dela ter feito para mim uma batina marrom com aqueles “cordões grossos na cintura”... E presenteou-me também uma pequenina imagem de Santo Antônio... a qual a conservo comigo até hoje! Meus pais costumavam rezar o Terço em família todos os sábados e disso eu me lembro bem e de algumas outras coisas. Esta, por exemplo: eu e uma das minhas irmãs (Belinha), às vezes brincávamos, pulando na cama da mamãe, com lençóis na cabeça, dizendo que éramos “anjos” e estávamos voando para o céu... Depois que minha mãe faleceu, meu pai precisou fazer mudanças de residência para várias outras cidades...

Já menino crescido, residindo em Vitória da Conquista, lembro-me que eu ajudava na Igreja dos Capuchinhos como coroinha e, não sei bem como, uma de minhas irmãs (Luiza) levou para casa um folheto com informações de como se ingressava num convento, as exigências, etc... Creio que devo ter alimentado uma expectativa de ir “ser padre” já naquela oportunidade, mas resultou que eu não fui porque meu pai não tinha condições de fornecer todo o enxoval requisitado...

Com o passar do tempo a idéia de ser padre ficou escondida: a preocupação maior eram os estudos, as brincadeiras... Chegou a adolescência... e o interesse também pelas meninas, pelos heróis do cinema... Na escola, a idéia de ser padre não era realçada – exceto quando meu irmão (Luiz) me “denunciava”! –, mas também não era absolutamente negada. Com os livros que havia em casa (Aliás, meu pai tinha uma biblioteca!) li sobre o cinema e creio que foi nessa idade, entre os 10 a 15 anos que fiz meu primeiro sonho pessoal: trabalhar no cinema e fazer um filme. E gostava muito, quando me levavam ao cinema, aos “matinês” dos domingos, para assistir os “bang-bangs” da época... Fato é que lá em casa eu me destacava, dentre meus irmãos não por ‘querer ser padre’, mas pela minha curiosidade pela coisas, digamos, ‘tecnológicas’: era eu quem consertava as coisas quebradas; quem tinha coragem de descer em cisternas profundas; quem mexia mais na radiola e com fios de eletricidade... e tantas outras coisas que já nem me lembro mais. Todavia, anos mais tarde fiz um curso de eletricidade e eletrônica... e continuei a mexer mais ainda!

Após completar meus 17 anos, uma fase nova e revolucionária veio acontecer na minha vida: em 1972, eu e meu irmão Luiz, tendo já concluído o Ginásio, partimos (26/03/72) de Conquista e viemos morar aqui em Salvador. Acabara de ser fundado aqui o CEUSC (Casa do Estudante Universitário e Secundarista de Conquista) e a gente fez parte da primeira turma: cerca de 50 rapazes, se não me engano. Eu e meu irmão logo nos matriculamos no Colégio Central e novos aprendizados e experiências se sucederam. Quase dois anos mais tarde uma outra irmã veio também para Salvador e, então, saímos do CEUSC e fomos residir num quartinho alugado, na Barroquinha; e mais tarde ainda (1974) num pequeno apartamento alugado, na rua do Sodré (o qual ficou como nosso “sodrézinho” por mais de 20 anos).

Após a conclusão do “científico” (2º grau), eu e Luiz fizemos nosso primeiro vestibular, na UFBa e não passamos. Depois, passei em FÍSICA e meu irmão passou em Química. Fiz então o curso superior de Física em 7 anos, de 74 a 79, concluindo-o na opção do Bacharelado.

De qualquer forma, desde a infância, eu nunca negara a possibilidade de um dia talvez vir a ser padre; quando essa idéia surgia ou alguém tocava no assunto, eu me calava ou dava uma desculpa dizendo, às vezes, que aquilo fora coisa de criança... Mas no íntimo ficava sempre alguma coisa... não sei como dizer... medo, coragem, sonhos... sei lá! Exceto no final da adolescência quando verdadeiramente me apaixonei pra valer por uma garota (“Baby”) da minha idade, recém chegada do interior... Aí então, não pensava em outra coisa! Foi uma experiência marcante, mas o namoro não deu certo porque foi uma paixão unilateral...

A influência da Legião de Maria

Mas o novo despertar da vocação foi brotando secretamente, aos poucos. Já em 1975, tendo “descoberto” em casa um livro (o Manual da Legião de Maria) que fora de uma de minhas irmãs (quando ela ainda morava em Vitória da Conquista). Tendo começado a ler e gostado muito do seu conteúdo espiritual, o mesmo veio, como que, a criar uma nova fase em minha vida. Nessa época eu já tinha um amigo adulto – Wilson Carvalho Nascimento (que eu encontrara, como professor, na biblioteca da ladeira do S. Bento, desde 1973, e que me ensinou um pouco de Italiano, como opção de língua para o meu vestibular...) – e que morava no bairro da Liberdade. Comentei com ele sobre a grande novidade daquele Manual e sobre o quanto acharia importante que aqueles princípios, da Legião, fossem colocados em prática, etc. Ele então descobriu que havia um grupo de Legionários no seu bairro e fez os contatos iniciais... A partir de então, ele e eu passamos a ser membros da Legião de Maria, pertencentes ao “PraesidiumMãe Santíssima, que se reunia aos sábados, na Paróquia S. Cosme e S. Damião, na Liberdade. Então, minha rotina semanal ficou assim: eu morava no Sodré (Centro) e durante a semana freqüentava o campus da Federação, para as aulas de Física; e, aos sábados, à tarde, ia para a Liberdade, participar da Legião. Com a continuidade, Wilson tomou a iniciativa de fundar alguns grupos juvenis da Legião e mais tarde eu passei a dirigir uma “Curiae” juvenil (que se chamou de “Curia Juvenil Mãe Castíssima”) a qual chegou a ter 19 grupos juvenis filiados. Muitas outras coisas eu poderia escrever sobre o quanto nós dois, Wilson e eu, fizemos em prol da Legião e do quanto nossa devoção a Maria Santíssima crescera nesse período; tanto que chegamos a nos consagrar a Ela (em 08/12/86), conforme o Tratado ensinado por S. Luis Maria de Montfort. Nesse meio tempo eu fora requisitado para dirigir um grupo juvenil também no centro (numa das salas do Convento da Lapa). E assim passei a dividir meu tempo entre as atividades da UFBa (Física), das reuniões da Legião de Maria, na Liberdade – Praesidium e Cúria Juvenil — e também o grupo juvenil do Centro: o Praesidium Juvenil Sede da Sabedoria. Este último tinha uma importância diferente dos da Liberdade, porque passara a se reunir no Convento da Piedade e era constituído de jovens adolescentes provindo de vários bairros e cujos “trabalhos legionários” envolvia ainda: animação de uma das missas na Igreja de São Pedro (Piedade); encontros diversos (como reunião de formação, de orações, de recreação, etc); e tínhamos também a redação do “Jornalzinho do SEDE DA SABEDORIA” (feito em mimeógrafo a álcool). Com todos esses novos compromissos, o tempo de minha dedicação para a Igreja, através da Legião, aumentara consideravelmente embora eu estivesse também dando conta do meu curso de Física.

O “fogo” vocacional

Fato é que a carência de pessoas para dar conta de atender às necessidades espirituais dos jovens na Legião de Maria e, através desta, também o contato com os apelos e as carências externas das pessoas a quem visitávamos, colocava-me uma pergunta silenciosa sobre a possibilidade de vir a se dedicar inteiramente à causa da fé. O Pe. Luis Bellopede, da Paróquia Cosme e Damião, no contexto dos trabalhos legionários com a Curia Juvenil, já me houvera feito, em certa época, uma carta-convite para que eu buscasse discernir um possível apelo vocacional do Senhor... De forma diversa fizera também o Pe. René Lima, pessoalmente e também através de correspondências que tocamos.

Eu já estava em meados (out/78) do penúltimo ano do curso de Física quando experimentei algo totalmente diferente de até então, em toda minha vida: um “fogo” interior, uma invasão de ‘certeza’ de querer ser padre, de tomar uma decisão radical: abandonar tudo e partir para a nova vida, no seminário! E isso tornava sem sentido a continuidade do curso de Física!... E me deixou numa terrível dúvida brigando no espaço do meu segredo pessoal, uma vez que eu não poderia expor essa decisão para os outros, pois, paradoxalmente, eu não sabia se realmente queria ou de como enfrentaria as conseqüências.... etc. Fui buscar ajuda com a Ir. Margarida, Madre Superiora das Mercês: contei-lhe o que estava acontecendo comigo e ela aconselhou-me que esse “fogo” talvez fosse uma coisa de momento e passageira... Mas, mesmo assim, orientou-me para que eu fosse falar com Dom Thomás, o bispo auxiliar. Fui. Conversamos e ele encaminhou-me ao Pe. Mathon que coordenava a Pastoral Vocacional e assim tomei conhecimento das reuniões mensais do Clube Vocacional – para jovens, de ambos os sexos, que se sentem especialmente chamados ou que ainda estão tentando descobrir sua vocação. E assim foi: continuei o curso de Física e passei a freqüentar as reuniões mensais do Clube Vocacional...

Com o passar do tempo o “fogo” se abrandou e foi se esfriando... mas o meu segredo continuava (Meus familiares, nada sabiam!): isto é, a decisão definitiva ainda não estava tomada e então, para todo mundo eu era o mesmo de até então: um universitário, um legionário... E tanto esfriou que algo surpreendente aconteceu. Entrei, nos meses seguintes, numa fase em que tive dúvida da minha vocação para o sacerdócio ao pensar na possibilidade de uma vida matrimonial feliz, que me realizaria...E foi então nessa época, quando eu dirigia, na Liberdade, os encontros de “O Namoro em Estudo” (para adolescentes legionários e outros, da paróquia) que também comecei a namorar uma garota (Denise)... (E disso, toda família ficou sabendo!)... Mas durou apenas dois meses! Não deu certo: a menina se decepcionou por eu ser “muito religioso”...

E assim findou também mais um ano civil.

O retiro vocacional

Quando já no início de 1979, nos dias 12 a 14 de janeiro aconteceu o Retiro Vocacional, realizado na cidade de São Francisco do Conde, para os participantes dos encontros vocacionais, promovido pela Pastoral Vocacional (dirigida pelo Pe. Mathon) eu participei e pude então, a partir deste, externar publicamente minha decisão pessoal por um “sim” à vocação de ser padre. Não sei se esse meu ‘sim’ foi uma resposta perfeita e verdadeira, uma vez que meu raciocínio foi mais ou menos assim: <<Abraão obedeceu a Deus e caminhou para uma terra que ele não conhecia. São Francisco deu um passo no escuro confiante que o Senhor o sustentaria. Jesus chamou Levi e ele imediatamente o seguiu. Estou na Universidade e é importante que eu conclua o curso, e, terminando e não indo para a pós-graduação, é o mesmo que concluir o 1º grau e parar aí. Estando já trabalhando aí já seria mais difícil abandonar tudo para seguir a vida sacerdotal. E agora? E prá que tudo isso? Se a finalidade não for a de poder servir à humanidade não me interessa. Eu já me considero uma pessoa valiosissima por tudo que sou e tenho. Os talentos que Deus me deu, eu os procuro render e multiplicar. Mas sei também das minhas fraquezas e limitações. E por isso é difícil dar essa resposta. Por que Senhor toda essa incerteza? Se tudo que temos de bom vem de Ti, por que é então que não somos cheios de bondade e amor? Estamos presos às coisas que nos cercam. E é difícil também porque Tu não forças, não exiges de imediato. E Maria? Como seria se ela não tivesse aceitado? Ela poderia ter dito não! Obrigado, Maria. Ajude a gente a também dizer sim a Deus. Assim como de Ti dependeu o Cristo para todos nós, penso que também por mim, o Cristo pode depender para muitas pessoas. Se também cheguei até aqui é porque me conduziste durante toda a minha vida. Por ter nascido num lar cristão e nela crescido até hoje. Meu batismo e todas as graças que tive, todos os Sacramentos que recebi dependeram sempre se um outro filho de Deus: o sacerdote. Obrigado por eles, Senhor. Será que também sou digno? Será que minha família é digna de ter um filho padre? Tu sabes o que fazes Senhor. Está bem, eu aceito o convite.>>

Hoje, revivendo aquele momento, e, encontrando-me hoje já casado sou mais propenso a me justificar dizendo que aquele “sim” não fora autêntico como resposta vocacional, e sim que fora apenas uma resposta racional... Todavia, os acontecimentos seguintes ficaram definitivamente marcados por essa minha decisão tomada nesse Retiro.

Minha primeira audiência com o D. Avelar

No dia 19/01/79 voltei a encontrar-me com o Pe. Mathon, o qual esclareceu-me algumas dúvidas, mostrou-me a diferença do padre diocesano para o padre religioso; e, como não conseguimos superar a dúvida se eu devia desistir ou não do curso de Física — já no último ano!— ele achou melhor que eu falasse com o Cardeal Dom Avelar. Fomos nesse mesmo dia.

Na residência arquiepiscopal D. Avelar perguntou-me inicialmente o meu nome e onde eu tinha nascido; onde meus pais moravam e também o que eu estava fazendo. Ao dizer-lhe que eu era estudante universitário ele admirou-se e perguntou, em seguida, o que eu pretendia. Eu lhe perguntei: — “Como assim?” Ele disse: “Em termos de vocação” Eu respondi: — “Eu pretendo uma doação total!” Ele disse: — “Puxa! Isso é muito nobre de se ouvir. Principalmente de um jovem de grandes ideais”. Falou-me então que o Pe. Mathon (que estava presente nessa audiência) havia dado muito boas informações sobre mim. Contei-lhe então que estava no último ano de Física e que a dúvida era que eu não via muito sentido se continuava o curso ou se desistia, já que eu tinha optado pela vocação. Ele respondeu que achava melhor que eu terminasse o curso, já que estava no último ano e que o mesmo poderia me ser útil mais tarde. Mas que da parte da Igreja, isto é, dele, eu já estava aceito; e que eu continuasse me orientando com o Pe. Mathon. Finalizando, o Cardeal disse que lhe dera uma alegria nesse dia. E me abençoou.

Comunicado à minha família

Logo no dia 07/02/79 escrevi aos meus familiares comunicando minha decisão de ser padre, dizendo: “Minha vocação é um dom de Deus. Não é mérito meu; Deus plantou em mim a sementinha da vocação. Ela teve condições de crescer. Eu sou totalmente livre e consciente de minha opção para aceitar a vontade do Pai. Eu aceito e, conforme Sua vontade, serei padre. É prá valer mesmo! Doação total, sem reservas.”

E uma de minhas irmãs (Mara) assim me escreveu: “Fiquei emocionada com a sua decisão; sinceramente não esperava que você decidisse ser padre; aliás quando você era pequenino sempre falava isto, só agora que despertou este dom que Deus lhe deu. Pois é mano, você é feliz, que Deus o abençoe, alegra-me em ter na família um padre. Eu peço Carlos que você termine o seu curso de física, no futuro quem sabe!... Vai lhe ser útil.” (Macapá, 20/2/79).

E outra (Ediêney): “Carlos, Papai está mesmo contente que você vai ser padre e vive dizendo que você está no caminho certo” (Itamaraju, 26/10/79).

E, mais tarde, outra (Mêre): “E você maninho, quando é que vai para o seminário? Sabe Carlos, às vezes fico pensando, puxa que bacana que vou ter um irmão padre, é maravilhoso maninho, e um padre é como se diz: um segundo Jesus.” (Macapá, 21/02/80).

E meu cunhado (Joanes): “Fiquei alegre em saber que você já está se preparando para servir ao Senhor./.../ Você é servo de Deus e, é um daqueles chamados por ELE para lhe dar testemunho perante os homens deste mundo incrédulo, voltado para o materialismo, para as injustiças”. (Macapá, 25/05/80).

Josafá e Zizo

Um certo dia desse ano (1979), não me lembro bem quando, fui à rua Vitoriano Palhares, próxima ao Largo do Tanque, como parte de uma tarefa legionária, para convidar um jovem para participar das reuniões do Praesidium Juvenil Sede da Sabedoria, da Legião de Maria... Josafá, e seu irmão Edson (Zizo), moravam num quartinho... Ele trabalhava num escritório de contabilidade, no Comércio... A partir desse dia nasceu minha amizade com o Josafá enquanto esse tornara-se um legionário assíduo, generoso e dedicado. Algum tempo depois fui conhecer seus parentes em Conceição de Salinas (ilha de Itaparica) e nessa oportunidade fui convidado a dar o meu testemunho pessoal sobre a minha decisão de vir a ser padre... e, surpresa!, o Zizo declarou publicamente que também gostaria de ser padre. E isso veio acontecer anos mais tarde... E mais tarde ainda, o mesmo aconteceu com Josafá.

Como Professor, no Águia

Ainda nesse ano, na data de 01/03/79, houvera uma oportunidade de emprego no Instituto Águia (praça da Piedade) e então fui admitido como Professor de Física para uma turma do Supletivo de 1º Grau. Foi uma oportunidade excelente para me ocupar diretamente numa atividade ligada ao meu ramo escolar. Todavia, 7 meses depois fui demitido. Motivo: queixa de uma parte dos alunos que não concordavam que eu ocupasse o dois primeiros minutos de cada aula fazendo o Sinal da Cruz e lendo para a classe uma curta mensagem bíblica ou espiritual... Mesmo com o protesto de alguns alunos e o agrado de muitos eu havia decidido que deveria continuar meu testemunho cristão já que eu estava me saindo bem como professor da matéria. No entanto a Direção da escola optou por me dispensar...

O “Especial para Você” e outras publicações

Mas minha energia por querer aproveitar algumas oportunidades para influenciar positivamente as pessoas, à causa do bem espiritual, estava em efervescência dentro de mim; e foi, portanto, em agosto desse mesmo ano que eu produzi – com a colaboração financeira de algumas pessoas e a ajuda gráfica da impressora do Instituto Águia – o Nº 1 do folheto ‘ESPECIAL PARA VOCÊ’, sem fins lucrativos. No Editorial eu escrevi: “Este jornalzinho só tem de original a idéia e o amor empregado na sua elaboração. Os escritos são recortes de jornais, revistas, livros e folhetos diversos: devidamente selecionados para você ler e gostar. O objetivo é primeiramente espiritual, porém, haverá, quando possível, notas científicas e informativas de maior interesse. Nem sempre haverá ordem lógica ou citação das fontes dos artigos. Este jornalzinho já foi entregue a Deus em oração e agora está nas suas mãos. Que Deus possa usá-lo para abençoar a sua vida. Leia-o e empreste-o para outras pessoas”(Agosto/79). Todavia o Nº 2 chegou a ser parcialmente editado, mas não impresso, por faltas de recursos... Hoje, 18 anos após, ainda mantenho viva a idéia de continuar a produzir este folheto. Ainda mais agora que já disponho de um computador e minha bagagem cultural está ainda maior. Só estou esperando o momento quando os recursos financeiros surgirem.

E nesse ponto, devo confessar que se isso constitui uma genuína “vocação”, eu creio que a tenho; pois, mesmo através de correspondências, tenho ficado feliz em saber que pude ajudar alguém com alguma coisa que escrevi ou que enviei, como atestam alguns testemunhos que ora transcreverei:

Querido mano, Du: a sua carta comoveu-me até às lágrimas; francamente, não esperava receber uma carta tão bacana como esta, que fez com que refletisse um pouco sobre os ensinamentos do Cristo Jesus. Além do mais, fez com que eu fizesse um retrospecto em minha vida, a maneira como vou levando./.../ Continue sempre estudioso, responsável, além do mais religioso, que você terá uma boa recompensa mais cedo ou mais tarde”. (M., 01/09/75).

Querido mano Carlos, recebi o CARLIBEL...”(B., 23/07/75).

Querido Irmão, sendo hoje o Dia das Mães, estou muito sentimental: ao ler sua carta, agüentei para não chorar, mas a teimosia das lágrimas... Pocha! Como gostaria de conversar com você”. (M., uma amiga. 09/05/76).

Disse eu na allocuttio, que Maria Santíssima, serviu-se de um Oficial confiando-lhe uma missão das mais importantes - trazer de volta ao rebanho legionário, a ovelha desgarrada. A ‘Mensagem a Garcia’ obteve pleno êxito”... (F.F. Brasília, 31/07/76).

Hoje, voltando do trabalho da Legião, encontrei uma velhinha que conversando com a mesma, dissera estar com saudade daquele rapazinho que sempre ia lá, sentado na porta, ensinar o rosário...” (M., 14/10/76).

Obrigada muito obrigada, pelo livro, foi o melhor presente que já recebi até hoje./.../ ‘Não há poder que não venha de Deus’ - esta é a frase que mais gostei desse livro...” (V., 20/02/77).

Mano Carlos/.../ você deu prazo de 2 meses para eu ler. Conclusão: o livro* é tão bom que não vou levar nem 5 dias! Gostei da explicação sobre JESUS. Então eu acho que se Jesus voltasse para nos salvar, de carne e osso, ele seria fuzilado ou colocado na cadeira elétrica...” (J., 15/04/77). [*”O Diário de Dany”].

Caro amigo Carlos, você não imagina a alegria, o ânimo, o conforto que sua cartinha trouxe para mim. Eu precisava tanto de receber aquela carta, ela chegou na hora exata/.../ eu guardo-a como um tesouro, um objeto raro de grande valor/.../ analiso cada palavra e penso se todos os jovens e até mesmo velhos do mundo agissem como você o mundo seria melhor. /.../ Através de sua mensagem, comecei a compreender meu pai.../Criei mais ânimo para tudo, para ler, para ser mais humana, mais alegre, mais otimista.” (V., 01/10/77 — P.S. “Dê lembranças minhas para Wilson”).

Prezado irmão... queria lhe pedir para mandar, com urgência, o ‘Estudo do Manual‘ para o ‘L.M.’. /.../ Que tal você fazer uma palestra para os jovens do Nordeste de Amaralina? ...” (J., 12/03/78).

...fiquei muito sentida com a morte do Wilson...” (M., 26/07/78).

Carlos, o RECLA* 54 está em vias de circular. Não obstante teremos que imprimir, tanto o 53 quanto o 54” (P., 21/12/78).[* Um livreto espiritual, redigido por meu pai, feito em mimeógrafo a álcool].

Amigo Carlos/.../ suas cartas são para mim uma terapia emocional de amplo espectro. Suas mensagens é o mais potente elixir que meu espírito já provou.” (V., 17/01/79).

Carlos muito obrigada pela sua mensagem/.../ quando termino de ler que concentro-me bem parece que renasce em mim uma nova pessoa”. (V., 04/03/79).

Carlos, meu irmão: o motivo desta é parabenizá-lo pela idéia e redação do jornalzinho ESPECIAL PARA VOCÊ...”(J., 27/08/79).

Carlos Eduardo: ... os dois números do “LM” saíram sem a sua colaboração: nem o “Você conhece o Manual?”, nem o “Catecismo Mariano”. (J., da Regia de Salvador. 11/09/79)

...Quando cheguei aqui, li logo a mini-Bíblia que me destes, e adorei.” (C., 13/09/79).

Obrigado pelo Novo Testamento que me enviou...” (P., 5/11/79).

Carlos, até o momento não tive tempo de arrumar um ‘artigo’ para o seu ‘periódico’. Mas farei o esforço para atender o seu pedido. Aguarde./.../ Um abraço de seu pai.“ (P., 02/01/80).

Querido irmão, Salve Maria! /.../ peguei seu jornalzinho* pela primeira vez/.../ gostei bastante e até hoje estou, e me sinto, feliz demais, mais forte, mais segura e sinto que não estou só”. (M., 11/02/80).(*Jornalzinho do SEDE DA SABEDORIA).

...Ah! Um esclarecimento: o jornalzinho não é meu, é do ‘Praesidium’, que é da Legião, que é de Maria. Portanto, se você gostou, agradeça a Ela. Eu e os outros membros que elaboramos o jornal, somos apenas instrumentos de Deus à serviço da Rainha e dos irmãos. Continue colaborando, sim? Obrigado.” (Eu, Carlos, respondendo a M.; 25/02/80).

Olha Carlos, sobre os jornaizinhos, estamos recebendo e com muito entusiasmo; entusiasmo este que tivemos a idéia de fundarmos o nosso jornalzinho ‘Rainha da Paz’”(M., 20/08/80).

Ildineide, Ivan e Ivonete: Segue a revista com a história de N. Sra. de Fátima/.../ Leiam e se quiser, emprestem para outras pessoas...” (Eu, Carlos, para uns amiguinhos; 22/08/80).

Carlos... recebi pelo correio 4 livros do Cavaleiro da Imaculada, boletim de apostolado enviado de Goiás, via D.F. agradeço esses recebimentos a você...” (I., 26/09/80).

... (E tantos outros).

A primeira Formatura

No final do ano de 1979 concluí o curso superior na UFBa, recebendo o diploma de Bacharel em Física, (no dia 15/01/80), com as seguintes disciplinas: QUÍMICA / FÍSICA GERAL E EXPERIMENTAL / RECUPERAÇÃO DE MATEMÁTICA / GEOLOGIA GERAL / CALCULO / MATEMÁTICA BÁSICA / QUÍMICA ORGÂNICA / ITALIANO BÁSICO / ESTUDO DE PROBLEMAS BRASILEIROS / INTRODUÇÃO AO PROCESSAMENTO DE DADOS / ÁLGEBRA LINEAR / INGLÊS BÁSICO / INTRODUÇÃO À CIÊNCIA DOS COMPUTADORES / CALCULO NUMÉRICO / EVOLUÇÃO DA FÍSICA / MECÂNICA GERAL E TEÓRICA / MÉTODOS DE FÍSICA TEÓRICA / ESTRUTURA DA MATÉRIA / ELETROMAGNETISMO / TERMODINÂMICA / INTRODUÇÃO À MECÂNICA ESTATÍSTICA / INTRODUÇÃO À MECÂNICA ANALÍTICA / FUNÇÕES ANALÍTICAS / INTRODUÇÃO À MECÂNICA QUÂNTICA / INTRODUÇÃO À FÍSICA NUCLEAR / INTRODUÇÃO À FÍSICA DO ESTADO SÓLIDO / e / DICÇÃO.

Nos vários semestres em que estudei Física (7 anos) eu contara com a ajuda financeira do Crédito Educativo. Mas já no último semestre as preocupações da maioria dos colegas, voltavam-se também para o mercado de trabalho: questão de emprego, etc. No caso da Física, no contexto de Brasil, as possibilidades de trabalho para os recém-formados não eram das melhores. Quem havia optado pelo ramo da Licenciatura, encontraria campo mais aberto para lecionar Física. Quem, como eu optara pelo Bacharelado, não via facilmente ofertas de empregos, nas empresas, para Físico. Neste caso o melhor seria dar continuidade no curso da Física, prosseguindo com a Pós Graduação visando chegar ao Doutorado, PHD... e então já estaria automaticamente absorvido por trabalhos na mesma Universidade ou em outras.

A fase do Baneb e da UCSal (Instituto de Teologia)

Anterior ao evento da minha formatura, quando eu ainda era professor de Física no Águia e aluno da UFBa, eu havia feito minha inscrição no Concurso público para Auxiliar de Escritório do Baneb (Banco do Estado da Bahia). O resultado saiu no dia 19/10/79: fui o 16º colocado.

Com o início de um novo ano civil (1980), abria-se para mim um novo capítulo em minha história. Através da autorização do Cardeal Dom Avelar, fiz “Matrícula Especial” para o CURSO DE TEOLOGIA, no Instituto de Teologia da Universidade Católica (UCSal). Com o chamado do Banco, para a fase de contratação dos aprovados, coincidindo, com o início do ano letivo, fui agraciado com a possibilidade de cursar a Teologia no turno matutino e de poder trabalhar no Baneb, no turno vespertino, na agência Iguatemi. E assim transcorreu o ano de 1980: trabalhando, com um salário pessoal relativamente bom, e estudando coisas totalmente novas, que até então nunca tivera visto. (Eis as disciplinas que cursei, de 80 a 82: INTRODUÇÃO À FILOSOFIA; TEOLOGIA I; SOCIOLOGIA GERAL I, II, III; PSICOLOGIA GERAL I, II, III; ÉTICA; HISTÓRIA DA FILOSOFIA (ANTIGA, MEDIEVAL, MODERNA e CONTEMPORÂNEA); LÓGICA E CRITERIOLOGIA; METAFÍSICA; ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA; TEODICÉIA; PSICOLOGIA; SOCIOLOGIA GERAL; HISTÓRIA DA FILOSOFIA NO BRASIL; CURSO MONOGRÁFICO; COSMOLOGIA; INTRODUÇÃO À BÍBLIA; TEOLOGIA FUNDAMENTAL; TEOLOGIA MORAL FUNDAMENTAL; HISTÓRIA DA IGREJA (ANTIGA E MEDIEVAL); SOCIOLOGIA DAS RELIGIÕES; PASTORAL (A realidade do homem no Brasil)). E como o clima era diferente do ambiente da UFBa! Ao mesmo tempo, continuava ainda na Legião de Maria, com a Curia Juvenil, os Praesidia... E também dentro do Baneb consegui dar um testemunho de vida cristã, entre os colegas funcionários, a ponto de também ganhar alguns amiguinhos muito especiais (Ildineide, Ivonete e Ivan, filhos de uma funcionária).

Mas ao completar um ano de Baneb, entreguei meu pedido de demissão voluntária, justificando-me que estava deixando o Banco para seguir meu chamado vocacional: “...ingresso no Seminário Central da Bahia, na segunda quinzena de março/81, para dedicação de tempo integral ao curso de Teologia e preparação para o Sacerdócio, se Deus quiser.” (05/02/81).

Como Seminarista

E assim foi. No dia 11/03/81 fui oficialmente admitido no Seminário Central da Bahia e tornando-me, assim, um Seminarista. Passei a residir ali enquanto dava continuidade ao curso de Teologia. Evitarei aqui relatar sobre o período de quase dois anos que ali vivi, pois precisaria escrever muito. Todavia, já desde meu primeiro ano com a Teologia (1980), e neste então (1981), o professor Paulo de Figueiredo, notara minhas boas notas em suas matérias e, um certo dia, falou-me sobre a possibilidade de sugerir meu nome ao Cardeal afim de que eu fosse enviado para continuar os estudos em Roma. Falou-me também que a Arquidiocese tomava essa iniciativa visando preparar futuros Professores para do Instituto de Teologia e que para tal eram escolhidos os candidatos que reuniam melhores qualidades culturais, que fossem capazes de agüentar ficar longe do seu País por mais de um ano, o rigor dos estudos de lá... etc. A sugestão do prof. Paulo teve boa acolhida no meu espírito e fez-me vislumbrar esse projeto também como um desafio grandioso, algo inédito, pois que eu jamais pensara em tal possibilidade. Assim, se a Providência Divina me colocava diante de uma nova escolha para o bem futuro da Igreja, então por que não continuar dizendo ‘sim’? (E aí eu me dava conta do quanto já me seria útil o pouco de Italiano que o finado “irmão Wilson” me havia ensinado há tempos atrás, bem como o que estudei na UFBa.!). De modo que um novo horizonte, com a possibilidade de mais uma nova partida e novas experiências pessoais, começava a despontar. No início do ano seguinte, 1982, depois de outras tantas conversas com o prof. Paulo, eu pessoalmente, já tinha a viagem para Roma, como certa; mas dependia, de qualquer forma, da decisão final da Arquidiocese, isto é, de Dom Avelar. E foi uma expectativa um pouco dramática diante da demora da resposta final e das incertezas geradas quanto à própria viagem e quanto as matérias que eu estava cursando naquele semestre. Por fim a decisão foi positiva e, em setembro de 1982, viajei para o Pio Brasileiro, em Roma.

Em Roma, no Pio Brasileiro

Passei 4 anos na Europa. Residindo no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, cursei 3 anos de Teologia, na Pontifícia Università Gregoriana (com as seguinte disciplinas: DE DIVINA REVELATIONE; REVEL: SCRIPT TRADIT MAGIST; REVELATIO PER CHR ATTESTATA; HIST ECCL ANTIQUA ET MEDIAEV; INTROD IN PATROL ET ARCHAEOL; EVANG SYNOPT: INTROD COMMENT; DE DEO REVELATO; DE SACRA LITURGIA; METODOLOGIA TEOLOGICA; LEX ET PROPHETAE ANTERIORES; CHRISTOLOGIA; GRECO BIBLICO; CORPUS PAULINUM; SACRAM IN GEN BAPT CONFIRM; DE ECCLESIA; EVANG E MEZZI DI COMUNICAZIONI; CRISTOL EN LATINO-AMERICA; HIST ECCL: REFORMATIO; UNITÁ D UOMINI DEL IV VANGELO; DE SACRAMENTIS IN SPECIE; THEOL MORALIS FUNDAMENTALIS; DE IURE IN MYST ECCL; PROPHETAE POSTERIORES; CHIESA E SISTEMI SOC OGGI; THEOLOGIA PASTORALIS; DE PRIMORD SALUTIS HUMANAE; THEOLO MORAL SPEC: PRAEC I-V; ESCHATOLOGIA CHRISTIANA; SPIRIT SACERDOTALE OGGI; CORPUS IOANNEUM; DE HOMINE IN CRISTO INSERTO; HIST ECCL RECENTIOR; TH MORAL SPEC: IUSTITIA, SEXUAL;FIDES SPES CARITAS; SCRIPTA SAPIENTIALIA; SINTESI TEOLOGICA) e mais 1 ano de Comunicação Social, um curso intensivo, no SPICS (Studio Paolino Internazionale della Comunicazione Sociale) (com as seguintes disciplinas: COMUNICAZIONE DI MASSA; ESTETOLOGIA; SEMIOLOGIA; DIRITTO DEL MAS MEDIA; ISTITUZIONI DI REGIA; STAMPA DI MASSA; FUMETTO: TECNICA E LINGUAGGIO; FOTOGRAFIA: TECNICA E LINGUAGGIO; FILMOLOGIA; RADIOFONIA: TECNICA E LINGUAGGIO; TELEVISIONE: TECNICA E LINGUAGGIO; PUBBLICITÀ E MARKETING; MUSICOLOGIA; DRAMMATURGIA; METODOLOGIA E DINAMICA DELL’APOSTOLATO; TEOLOGIA DELLA COMUNICAZIONE; PASTORALE DELLA COMUNICAZIONE; CARISMA PAOLINO; TELEVISIONE TEORIA; TELEVISIONE REGIA).

Durante as férias letivas, acumulei um total de tempo de 12 meses na Alemanha, enquanto trabalhava (“Ferienarbeiten”= trabalho de curta temporada para estudantes no período de férias) na Daimler-Benz e tendo como residência hospitaleira a casa da Família Lambart, em Böblingen.

Não posso dizer, em poucas palavras, o quanto significou para mim essa estadia de 4 anos fora do Brasil. Mas cumpri o objetivo: concluí o curso de Teologia (3 anos) e avancei até um pouco mais fazendo também o curso intensivo de Comunicação (1 ano). Aprendi muito o Italiano, um pouco de Alemão, de Grego, de Latim e tantas outras coisas.

Quanto à Teologia, foi um curso um tanto difícil devido a quantidade de disciplinas a ser estudada e assimilada. Foi bom pela possibilidade de se ter uma visão global de toda a Teologia, através de todas as principais disciplinas e todos os Tratados teológicos; mas foi ruim quanto ao pouco tempo para uma assimilação mais aprofundada. Fato é que após cada semestre a gente estava cheio de apostilas, às vésperas das provas, e, no semestre seguinte as mesmas eram engavetadas para dar lugar a muitas outras novas.!

O mesmo posso dizer também quanto ao curso de Comunicação: muita matéria, tudo corrido e pouco tempo... Mas tinha o gostinho diferente e emocionante das aulas práticas de Televisão, Radiofonia, Fotografia, etc.

Em resumo: foi um “pique” de estudo e tanto! E eu não me engano ao afirmar: — Eu precisaria de 10 anos aqui no Brasil para estudar e aprender tudo o que aprendi lá, em 4 anos.

Mas, de ambos os cursos restou o meu aprendizado pessoal e todos os livros e apostilas que consegui trazer de lá para cá. Material este que, aliás, continuam guardados.... e já se deteriorando!

No que concerne à minha carreira presbiteral, nesse período de Roma, creio que vale informar aqui que recebi, em celebrações litúrgicas realizadas no Pio Brasileiro, o Rito de Admissão (03/07/84), os ministérios de LEITOR (04/05/85) e ACÓLITO (05/06/85). Recebi também ali as “Cartas Dimissórias” para o Diaconato e Presbiterato, dada por Dom Avelar, mas que não foram úteis.

Nesse período, Josafá que também ingressara no Seminário Central, também fora enviado para o Pio Brasileiro e também foi meu colega tanto de “Pio” quanto de “Gregoriana”.

Volta ao Brasil: Chame-Chame e o Setor de Comunicação

Retornei da Itália, chegando ao Rio no dia 15 em outubro de 1986. Dom Avelar, já doente, estava em São Paulo, e eu pude ir visitá-lo nos dias 23 e 24 de novembro. O Cardeal estava muito magro e abatido... Com muito carinho perguntou-me sobre minha viagem... Falei pouco; optei por escutá-lo mais. “O padre jovem deve, a todo custo, dar-se tempo para a oração; deve aprender a ouvir o povo e seus ensinamentos...” — foram alguns dos seus conselhos para mim. Pude fotografá-lo durante a Santa Missa, a qual ele celebrou sentado. No dia seguinte fiquei sabendo dos seus planos: o processo em vista do meu Diaconato seria iniciado a partir da coleta de testemunhos de alguns colegas meus do Pio Brasileiro, mas que eu deveria fazer o pedido oficial através do Mons. Walter, aqui na Arquidiocese; e que minha nova residência seria na casa paroquial do Chame-Chame, com o Mons. Carlos Gaeschlin; e o meu novo serviço: no Setor de Comunicação da Arquidiocese. E, aqui chegando, de volta à Bahia, outra nova fase começou.

Com a proximidade do Natal, o Cardeal Primaz, preferiu regressar a Salvador e continuar o tratamento de sua doença aqui... Todavia, no dia 19/12/86, veio a falecer... E a Arquidiocese ficou como “sede vacante” até o final de setembro de 1987, quando então o Papa nomeara V. Emcia. — D. Lucas Moreira Neves — como o novo Cardeal Arcebispo Metropolitano de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil.

Para mim a experiência de moradia no Chame-Chame, a partir de 25/03/87, foi boa em parte: enquanto próxima do Centro e das emissoras de Rádio e Televisão; por outro lado, foi negativa enquanto não me possibilitou uma devida integração minha com aquela comunidade local, etc.

Quanto ao Setor de Comunicação, foi, junto com a equipe (Pe. Aderbal, Ir. Patrícia, Edla Lula, Ana Paula e tantas outras pessoas), uma experiência frutuosa de trabalhos e realizações — Boletim Arquidiocesano, Programa Chão e Paz e Missa Dominical pela TV, programa radiofônico: Uma proposta de vida, etc. — mas que em pouco tempo me deixou estressado diante de tantos trabalhos, alguns desentendimentos e uma grande falta de recursos...

Em meados de 1987 o estresse já tinha crescido juntamente com a minha primeira crise... Foi aí então que tive minha primeira audiência com o novo bispo... E V. Emcia resolveu as coisas desta forma: tirou-me do Setor de Comunicação e mandou-me para Paróquia São Braz, em Plataforma, afim de iniciar o meu Estágio Pastoral.

Estágio Pastoral em Plataforma

Iniciei esse Estágio, na data de 04/01/88, juntamente com o então seminarista Josafá, que também estava regressando de Roma naquele ano!, e sob a orientação do Pe. Gaspar Kuster e também do Pe. Jorge.

Sucederam-se muitas reuniões nas comunidades, muitas celebrações da Palavra, cursos bíblicos, encontros com jovens, etc. Foi tudo novidade quanto aos trabalhos pastorais que eu até então jamais tivera oportunidade de fazer enquanto “seminarista”, e sem dúvida, foi uma experiência pastoral e espiritual muito enriquecedora. Diferente do Seminário Central... diferente de Roma.. diferente do Setor de Comunicação... Só mais parecido com os trabalhos da Legião de Maria... Havia o contato mais direto com o povo simples... As celebrações da Palavras em várias Comunidades... Os encontros com jovens... Os cursos e palestras.... Enfim, tantas atividades e tantas carências ao mesmo tempo. E o próprio confronto com a realidade e as crendices do povo nos dava fome de ir aos livros para melhor tentar aprender o que não havia sido aprendido nas escolas e no seminário. Resultado: sem dúvida nenhuma, esse Estágio foi, para mim e certamente também para Josafá, uma experiência enriquecedora e válida. (Ainda nessa época também fui professor de Ecumenismo e Metodologia Científica na “Lumen Christi” - Ondina). Todavia, devido, talvez, a muita dedicação aos outros, ou talvez pela falta de uma direção espiritual, ou talvez devido a falta de mais oração pessoal, ou talvez devido a tantas coisas... Sei lá! Até hoje não sei bem do que acontecera comigo. Só sei que após o quinto mês do Estágio, comecei a me sentir ferido, zangado e insatisfeito, não por tudo, mas por algumas coisas.

A crise maior

E assim descobri que aquela crise iniciada no Chame-Chame não havia sido superada por completo; aliás, desabrochou paradoxalmente num misto de sentimentos: se me sentia realizado ao realizar palestras, dar aulas e orientar as pessoas, por outro lado, percebia o crescimento de uma tristeza interior, indicativa de que a vida espiritual não estava bem. Eu que quase sempre fora uma pessoa alegre... agora estava amargando uma insatisfação sutil a partir de perguntas não respondidas e expectativas, talvez, frustradas... A própria experiência do amor de Deus parecia um vazio, um contra-testemunho de vida religiosa... Do ponto de vista intelectual, tudo parecia muito bem, pois eu dava o curso de História da Igreja, os Cursos Bíblicos, as “homilias” nas celebrações de enterro e outras com tal satisfação que, para todo mundo, parecia que tudo estava bem comigo. Mas não estava. Mas também considerava isso um tanto normal e certo de que as coisas mudariam com o passar do tempo e com as novas futuras fases... Eu sentia uma insatisfação perante minhas carências espirituais, no contexto daquele Estágio Pastoral, mas, ao menos conscientemente, evitava alimentar qualquer idéia de desistir de ‘ser padre’. Precisaria “coragem” e discernimento para isso!... No entanto eu escrevera ao Pe. René Lima, no dia 10/06/88: “Quanto a mim, estou na labuta das atividades acadêmicas (lecionando) e pastorais. Inquietando-me com a realidade atual e tateando no caminho da minha vocação. Preciso de alguém pra conversar mais sobre tudo. Quando ao Diaconato ainda nada definido. Mas isso não me deixa preocupado. O que mais anseio no momento é enfrentar uma crise pela qual eu possa dizer um ‘sim’, bem sim, ou um ‘não’ não, bem consciente, seguro e cheio de amor. Reze por isso”. Conversei com o Pe. Gaspar e com o Pe. Jorge, mas as coisas continuaram com certa normalidade...

Aconteceu então que, na festinha junina (23/jun/87) da Comunidade, promovida entre pessoas dos Cursos Bíblicos e o Grupo de Jovens de Ilha Amarela, enquanto eu fazia uma apresentação de eslaides, uma garota, que até então eu não conhecia, começou a me olhar e a dizer gracejos, sorrindo sempre... Terminada a seção de eslaides a mesma continuou a brincadeira, apoiada por suas colegas, principalmente quando a “galera” mandava a turma se juntar para tirar fotografias, procurando ficar junto a mim e me abraçar. E eu, como que para se dizer imune a esses avanços e aproveitando do contexto da festa, decidi entrar no jogo da provocação e, no risco entre se a coisa era séria ou só mesmo uma brincadeira, a abraçava também. E ficou só nisso. Mas a festinha foi muito boa.

Só que no outro dia essa garota apareceu novamente na Casa Paroquial, juntamente com outra colega, e desta vez eu, em alguns momentos, continuei o jogo da provocação, mas pensando como quem brinca com fogo: “você começou... e agora quero ver se você é a mesma de ontem!” E era: alegre, jovial, pequena...

Resultado: essa garota começou a visitar a Casa Paroquial outras vezes e, enquanto crescia nossa amizade, mais se me questionavam as dúvidas vocacionais e a zanga da crise. Decidi então entender que o aparecimento dela – Luciana da Silva Malta – naquele momento de minha vida seria, digamos, a “graça” de um questionamento mais forte; ou então, a “tentação maior” a ser superada!. Não... Não acho que ela fora a causa de minha crise ou que ela tenha sido a principal responsável por minha desistência de continuar como seminarista. De qualquer forma ela acelerou-me o processo de minha crise e eu tive então que buscar respostas com mais urgências para o que se passava comigo. De qualquer forma, uma certeza eu tinha: eu não estava apaixonado!

Foi então que o Pe. Gaspar ajudou-me como pode: falou-me sobre o “Processo Vocacional”, etc... e possibilitou-me fazer um retiro em Taizé (22-27/07/88) e também de buscar orientação espiritual da Ir. Joana (beneditina). Fiz então um retiro de uma semana, em Taizé (Alagoinhas), onde tive oportunidade de fazer uma revisão de vida e buscar tomar uma decisão sobre a minha desistência ou não. Mas, apesar de uma semana de orações e meditações, o retiro não me possibilitou tomar uma decisão desse porte. O assunto não era uma questão puramente pessoal; havia o lado da Igreja institucional e a crise se revelava mais por esse lado... Já com a Irmã Joana, tive vários encontros, que se prolongou por mais de um mês, e de quem recebi muitas palavras de conforto e apoio e em quem pude depositar uma abrangência maior de informações sobre minha caminhada vocacional. Seus conselhos se entrelaçavam entre buscar discernir a vontade de Deus a meu respeito e de que eu me aceitasse e que eu buscasse minha realização pessoal; mas, sobretudo, deixou comigo a chave da decisão pessoal com promessas de seu apoio com suas orações. Mas apesar de tudo, essa decisão final eu não tive condições de tomar por conta própria: eu não estava brigando com a Igreja, nem saindo por causa de uma mulher (Por causa de uma casamento, digamos. Aliás, eu também deixara claro para Luciana que eu estava em crise e que caso eu viesse a desistir de ser seminarista, não significaria que eu estaria optando por namorar com ela; mas que se eu decidisse continuar como seminarista e forte na minha opção vocacional pela Igreja, então a gente nem tentaria mais se ver). E por isso as coisas não pareciam ser tão simples. Afinal, ela poderia ser mesmo a resposta definitiva da minha verdadeira vocação.

Nesse meio tempo algumas pessoas da Comunidade paroquial já estavam bem por dentro do assunto e se prontificavam a me apoiar: “Carlos, são 4 horas da manhã, e eu estou aqui pensando/.../No que diz respeito a você e aos seus problemas eu me coloco à sua disposição para qualquer coisa/.../ Gostaria imensamente de ajudá-lo, sei que é difícil, às vezes, a gente decidir sozinho. Olha, eu percebi que você está sentindo-se sozinho e com medo de se decidir/.../ O que você decidir estarei do teu lado...” (N., 25/08/88).

A decisão final, porém, só chegou no dia 4 de setembro de 1987 — data da Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, com a Concentração de Fé, na Fonte Nova, e Consagração da Arquidiocese ao Coração Imaculado de Maria —, há cerca de dez anos atrás, quando eu pude ter uma rápida audiência com V. Emcia. que, dizendo entender que eu tivera uma vida escolar corrida, entendia que eu estivesse nessa crise; e ainda que caso eu não viesse a se casar com essa moça e que se eu voltasse a ter uma nova conversa, talvez depois de 2 anos, seria normal, como já acontecera a outros. A assim eu me senti “liberado” da crise: deixei de ser seminarista. Senti-me, então, psicologicamente aliviado e em paz.

E as outras pessoas o que iriam dizer? Alguém me escrevera dizendo: “...esses dias talvez não vão ser fáceis, pois quando estamos dentro ‘no seu caso SEMINARISTA’, quando se sai, o povo não quer nem saber o porquê; se foi porque quis ser sincero, que não quis enganar, já se toma uma conclusão e as vezes até muda o relacionamento. Mas você tem que estar preparado para tudo, para os que vão entender e os que não vão entender...” (E., 11/09/88).

No dia 10/10/88, iniciei uma carta, que pretendia enviar aos meus amigos, dizendo: “O motivo principal desta é comunicar-lhes que tomei uma decisão importante para minha vida: me tornei ex-seminarista. Em outras palavras, tive a graça de enfrentar minha crise vocacional e, com esta, descobrir que as dúvidas não me permitiam dizer com toda a sinceridade e entusiasmo: ‘eu quero ser padre’; e por isso deixei. Deixei, não por fuga, por revolta contra a Igreja ou por perda da fé; nada disso. Apenas a certeza e a paz de estar buscando a Vontade do Senhor para a minha vida; o querer mais do que nunca acertar na Vocação pessoal. A pretensão de ser padre chega ao fim; não o meu amor pela Igreja; não a pretensão de vir a ser um cristão autentico: alguém que deve testemunhar o amor de Cristo onde quer que esteja. Aliás, esse sim é o grande desafio.” Todavia essa carta ficou inacabada, e não foi enviada para ninguém.

Namoro, Noivado e Casamento e a “Ecclesia Domestica”

Tendo saído, fiz a opção de namoro com Luciana. Uma pessoa, de longe, até me aconselhara: “Agora que você está livre, namore bastante até escolher uma garota bem legal...” Um conselho bem intencionado mas... não coincidia com meu modo de pensar. Certo que Luciana era uma garota muito nova – 18 anos – e havia uma separação de idade de 15 anos entre nós dois; mas o amor que estava brotando merecia uma chance de crescer e se nada nos impedia, restava caminhar juntos, enquanto o tempo se encarregaria de comprovar se, de fato, havíamos sido feitos um para o outro, ou não. Seria eu um dom de Deus para ela? Seria ela um dom de Deus para mim?

Quando seminarista, havia recebido alguns bilhetes “secretos” de admiradoras “apaixonadas” e etc... mas eu não alimentava tais paixões e procurava deixar bem claro que ‘eu não estava disponível’. E isso, com certeza, deve ter magoado a não sei quantas... Agora, porém, eu me sentia no espaço do ‘permitido’ e tudo agora tinha um sabor diferente... Difícil explicar! Ainda dava para sentir que Deus é amor... Minha alegria interior estava aflorando de novo e a ausência de um sentimento de culpa me permitia ser, de novo, aquela pessoa alegre de antigamente.

Certo é que eu me revelei um romântico e poeta que jamais imaginara ser capaz. Foi um período muito bonito, cheio de bilhetes e mensagens de amor entre nós dois...

Luciana, toda amizade é semente de amor...Deus é Amor. N’Ele eu posso dizer que amo você.” (04/07/88)/ “Carlos, o amor nasce de uma grande amizade...” (08/07/88)/ “Carlos...se você chora, você sofre; se você sofre, você ama...” (10/07/88)/ “Luciana, viajo para Taizé... reze também por mim para que eu possa discernir a vontade de Deus... Rezarei também por você...” (22/07/88). / “Carlos Eduardo, o amor é a energia mais sublime que nos conduz à felicidade. Gosto muito de você.” (02/08/88). /.../ “Você está com medo?” (04/08/88) /.../ “Estou esperando você ligar. Te amo.”(13/08/88) / “Luciana...evitarei te encontrar... e não telefonarei também. Também gosto um pouco de você, e quero que sejas feliz.” (13/08/88). / “Carlos Eduardo, te amo muito”(21/08/88). / “Lu, talvez eu quisesse mesmo que você desaparecesse ou então que a gente fosse tão livre para estar presente um ao outro sem receios... Você é um mistério, assim como eu. Eu quero acolher o dom de sua pessoa, mas não estou totalmente livre para te retribuir na mesma intensidade” (24/08/88). /”...Posso dizer que amo você; não tenho medo de nada e de ninguém” (24/08/88). / “Então faça bem a sua parte! O tempo é quem trará o final da história. Mas lembre-se que Deus também está fazendo a parte d’Ele. Quanto a mim... coitado! Meu coração não é meu...” (24/08/88). / “Carlos Eduardo, queria estar ao seu lado cada minuto que passa. Te amo muito” (25/08/88). / “Lu, Deus também vai colocar muitas pessoas no seu caminho... Coragem!” (25/08/88). / “Carlos, te amo. Queria que você falasse o mesmo, mas não mando no seu coração” (30/08/88). / “Agora o túnel está bem perto!... (01/09/88). / “Carlos... te amo. (04/09/88) /.../ “Eduardo...quero me doar a você. Te amo muito.” (08/09/88) /.../ “Carlos... meu coração procurava por você... uma saudade sem fim...” (11/09/88) / “Lu, ontem falei a Deus um pouco sobre você, um pouco sobre o nosso namoro... Agradeci por sua presença em minha vida e pelo carinho e amor que você me tem”. (12/09/88) / “Carlos, sinto a tua presença em todos os instantes da minha vida. Te amo tanto!” (12/09/88). / “Lu, que bom a gente estar juntos! Um beijo!” (15/09/88) / “Carlos, tenho medo que você encontre outra pessoa... Você está me conhecendo aos poucos...ainda não podemos levar nada a sério, porque você ainda está na casa paroquial, mas quando você sair só vai depender de você. Te amo muito.” (16/09/88) /”Um beijo, seu Carlos Eduardo.” (20/09/88) / “Carlos... se te amo é porque você existe...De sua Lu.” (23/09/88) /.../ “Amor... entendo sobre o amor, em primeiro lugar, o respeito um para com o outro, a amizade, a confiança... Te amo muito.. mil beijos, de sua Lu.” (26/09/88) / “Querida Lú...é a primeira vez que chamo você de querida... Deus nos ama tanto que a gente só poderá retribuir amando-nos verdadeiramente e expandindo esse amor para outros irmãos ao nosso redor...” (27/09/88) / “Carlos, te amo tanto...” (05/10/88) / “Lú, querida, obrigado por sua presença em minha vida...” (05/10/88) / “...estou me dedicando a fazer você feliz, sabia? “ (08/10/88) / “...um beijo cheio de ternura, sinal do meu amor!” (11/10/88) / “Amor...sinto-me muito feliz... cada dia crescemos mais em amor. Te amar é tão bom! De sua menina, Lú.” (13/10/88) / “Carlos, é tão bom colocarmos Deus em nossas vidas...” (14/10/88) / “Lú, alguém especial como você tem um lugar especial no meu coração” (16/10/88). / “...não vejo a hora de resolver nossas vidas... De sua Lú que te ama.” (20/10/88) / “Lú, agradeço tanto a Deus a graça do nosso namoro...” (20/10/88) / “Carlos, te amo tanto que seria capaz de me casar até agora.” (22/10/88) / “Lú, querida namorada...vamos continuar nossa caminhada amadurecendo a decisão de unir nossas vidas pelo enlace matrimonial. Mas precisamos ainda dar o devido tempo ao tempo.” (22/10/88) / “Meu Amorzinho... que Deus ilumine nossos caminhos. Da menina que te ama...” (25/10/88) / “...Um beijo de ternura, do seu menino que te ama. Carlos.” (30/10/88) / “’Sou morena, porém graciosa, ó filhas de Jerusalém/.../meu amado é todo meu, e eu sou dele’ (Cânticos dos Cânticos). Da menina que tanto te ama.” (31/10/88) / “Querida Lú... vamos sonhar o sonho mais bonito para nós dois, pedindo desde já a bênção de Deus, e, se Ele quiser, esse sonho se realizará.” (01/11/88) / “Meu Amorzinho... Te amo, te amo tanto.” (03/11/88) /.../ “Amor, cada vez que fico longe de você sinto o quanto te quero e quanto te amo. De sua Lú.” (08/11/88) / “Lú, o Bom Deus fez com que a gente se encontrasse e hoje estamos unidos no mesmo amor que cresce a cada dia. Digo que amo você e o que mais desejo é que este amor nunca termine.” (13/11/88) / “Carlos... assim como Maria deu o sim, que nós dois dê o sim ao casamento.” (13/11/88) / “’Fecho os olhos prá não ver passar o tempo...’ [Dedicatória da música AMOR PERFEITO, de Roberto Carlos; de Carlos para Luciana].” (14/11/88) / “Carlos...acho que você pensa que eu sou a menina mais boba que existe...O pior nisso tudo é que eu te amo e não sei viver sem você.” (19/11/88) / .../ “Carlos Eduardo... estava sentindo muito a sua falta e sinto que te amo cada vez mais...” (30/11/88) / “Lú, menina linda, olhar o teu rosto e ver esse teu sorriso lindo... Te amo como tu és. Um beijo!” (30/11/88) / “Eduardo, te amo tanto que a minha vida não tem sentido sem você. Te amo.” (03/12/88) / “Querida Lú...depois das tantas emoções e dificuldades do trabalho da Britannica...Obrigado pelo bem que você me faz. Te amo.” (09/12/88) / “Querido...’Queria tanto que você entendesse, que a liberdade só se vive em Deus’...”

E assim foi: no final de 1988 decidimos ficar noivos...

Meu Amor, o que peço mais a Deus é que nós dois, em primeiro lugar, sejamos felizes. Deus é a fonte maior do nosso amor... Carlos, quero me dedicar a você a partir desse momento como sua noiva e futura esposa... Te amo.” (12/12/88). / “Querida... o ano novo está chegando e se aproxima o dia do nosso noivado. Que possamos festejar esse dia com todo amor e carinho...Te amo.” (17/12/88) / “Cal... te desejo o Natal mais feliz do mundo...” (24/12/88). / “Lú, querida, estamos noivos. Nossa caminhada deve continuar ainda um pouco mais até o nosso casamento, se nosso Bom Deus assim o quiser. Que Ele nos abençoe!” (07/11/89) / “Querido noivo... te amo.” (13/01/89) / “Carlos, te amo! Te amo! Te amo! Te amo! Te amo!” (26/01/89). / “Querida Lú...as dificuldades financeiras ainda não foram superadas, mas continuo na labuta e com muita vontade de vencer. O seu amor me renova as forças. Te amo!” (27/01/89). / “Querida... ainda não resolvi o caso do débito com R... Meu Deus, como a falta de dinheiro complica tudo! Mas, com fé em Deus, vamos vencer! Te amo.” (29/01/89) / “Querido, que nosso amor seja sempre lindo e maravilhoso, e que Deus nos ajude a vencer essa dificuldade e nos ilumine. Te amo muito!” (29/01/89). / “Lú, nada é tão lindo e precioso quanto nossas vidas e nosso amor.” (03/02/89 / “Cada dia que passa sinto que cresce o meu amor por você... Te amo, Carlos” (25/02/89). / “Cal, se você soubesse o quanto eu te amo! Nosso amor é tão lindo e maravilhoso. Que Deus nos ajude a conseguir realizar todos os nossos sonhos.” (06/03/89). / “Querida Lú... Não consigo esquecer o caso-Márcio...os cheques usados... o débito... Um beijo cheio de ternura. Te amo.” (16/03/89). / “Carlos...o assunto é sério... Te amo.” (20/03/89) / Querida Lú... você vai desabrochar com muitos frutos bons. Você tem tudo para vencer. Te amo cada vez mais. Um beijo do seu noivo.” (24/03/89) / Querida, admiro tanto você pela sua simplicidade e sua vontade de ser feliz. Seu sorriso meigo me deixa muito alegre... Sua vontade sincera de vencer na vida, ao meu lado, tudo isso é um sinal bom de que nosso casamento vai dar certo. Um beijo do seu noivo...” (10/05/89). / “Cal... como gostaria que você estivesse aqui... Te amo.”(12/05/89) / “Querida Lú... amar não é fácil. Devemos amar o Amor. Que Ele sustente nosso amor.” (13/05/89) / “Cal, como é grande o meu amor por você. Esta manhã fiquei com bastante dor de cabeça... Te amo muito meu amor.” (22/05/89) / “Cal, quero que essa luta seja minha também. Quero te ajudar de qualquer forma... Você é meu tesouro!” (31/05/89) / Querida noiva...estou contente por ter você ao meu lado. Por te amar e ser amado por ti.” (31/05/89) / “Feliz Aniversário. Com um beijo gostoso do seu noivo que a ama.” (02/06/89) / “Meu Amor, querido... te amo.” (07/06/89) / “Lú, querida...você é a preciosidade maior que eu tenho. Te amo! Deus nos abençoe! (21/06/89) ...Desejo que você seja plenamente feliz ao meu lado, por toda a vida (28/06/89). ...Temos que caminhar ainda um pouco, esperando e sonhando com o dia do nosso enlace matrimonial (03/07/89)” / “Cal, quero você para sempre. E nunca vou deixar de te amar.” (05/07/89) / “Querida... nunca devemos esquecer Aquele que é a fonte do nosso amor. Beijos!” (07/07/89) / “Cal, você é a minha preciosidade... Não vejo a hora de me casar com você.” (16/07/89) / “Lú... vamos expandir esse nosso amor, com sentimentos de bondade e gratidão para com todas as pessoas que estão ao nosso lado...” (16/07/89) / “Cal, você é a minha vida. Te amo.” (19/07/89) / “Querida... na Gold Invest tive dois contatos que prometem uma boa venda... Amo você.” (22/07/89) / “Querida noiva... que o perfume gostoso do nosso amor nunca se acabe e assim possamos beneficiar todos aqueles que se achegarem a nós...” (18/08/89) / “Lu...amanhã vamos à praia; sim, se Deus quiser. Um beijo. Te amo.” (20/08/89) / “Querido, eu te amo.” (22/08/89). / “Cal, querido amor...é muito bom saber que você está crescendo no trabalho... Você mudou um pouco: não tem mais tempo nem de parar e escrever para mim. Cal, não vamos acabar com o nosso romantismo... Eu te amo de todo o meu coração.” (28/09/89) / “Meu querido e grande amor... ando com você direto no meu coração e no meu pensamento. Estou louca para que chegue o dia 30 de dezembro... Te amo.” (27/11/89). “Meu Amorzinho... estou torcendo para que você tenha passado no concurso...Estou louca que chegue o nosso casamento... Eu sei que vamos ser muito felizes. Mil beijos de sua Lú.” (28/11/89) / “Te amo Cal.” (05/12/89) / “Carlos, é tão bom construírmos coisas boas. Te amo.” (17/12/89) / “Cal, quero que chegue logo o dia 30-12-89. Estou feliz.” (20/12/89) / “Cal, o que vai acontecer com nossa vida?” (21/12/89). /

...e no final do ano seguinte (30/12/89) nos casamos. O matrimônio foi realizado na Igreja de S. Pedro, com a concelebração litúrgica dos padres Gaspar e Josafá, e a presença de parentes e amigos. E alguns que não puderam comparecer se fizeram presentes através de telegramas {Por ex.: “CARLOS... RECEBA COM LUCIANA ABRAÇOS PARABÉNS BÊNÇÃO ORAÇÕES PARA LONGA FELIZ VIDA MATRIMONIAL. DOM LUCAS}...

...ou cartas [Por ex.: “Caros Luciana e Carlos... Sob o olhar de Deus consagrem o Amor de vocês. Que os olhares do povo os possa ver bem felizes. Coragem! Casamento começa no Altar e termina no céu. Que vocês sejam um para o outro uma seta de Deus, abrindo uma estrada. Que o casamento de vocês seja de verdade! (Pe. Arnaldo, 26/12/89) / “Mano Carlos e cunhada Luciana... quero desejar a vocês toda a felicidade do mundo. Que Deus os abençoe e que sejam muito felizes (M., 09/01/90) / “...Que esta vida a dois que iniciam, seja um contínuo crescimento no amor, que só terminará com a sua plenitude no Céu. ...O Matrimônio é um projeto de santidade a dois...” (Ir. J., 30/12/90) / “...Que o amor, que os une, abebere-se em Cristo, cujo Amor é infinito! Felicidades!... (P.,02/01/90) / “...Impossibilitada de comparecer... envio votos de parabéns e felicidades, confiante na bênção de Deus a pessoas lindas como vocês. (CSC, 02/01/90)” / “Amor é... quando dois são um!... Mostrem ao mundo a realização do grande mistério do amor de Cristo pela Igreja e da Igreja por Cristo. (U., 04/01/90)” / “Carlos.. Foi uma surpresa muito grande, pois eu nada sabia da sua situação atual... Um abraço para você e Luciana.(G., 04/01/90)” / “...Auguro-lhe toda felicidade possível, pois, acredito, é isso que Deus quer de cada um de nós... (Frei J., 05/01/90)” / “...O bom Deus abençoe prodigamente o seu casamento... Fico feliz que tenha assumido um compromisso sério de vida como é a vida matrimonial. (J&C, 19/01/90)” / “Carlos... Parabéns a você e Luciana. Todo sucesso na opção acertada e futuro feliz! (Pe. R., 20/02/90)” / “Carlos Eduardo e Luciana... Quero manifestar minha satisfação pela felicidade e realização de vocês. Que triunfe a vida no lar de vocês... (Pe. A.,03/03/90)” / “Caro Eduardo...foi melhor assim. Você foi sincero com Cristo, principalmente, principalmente consigo mesmo, com o próximo. O casamento não vai impedir que você seja um bom cristão, atuando na Igreja, em companhia de Luciana, que teremos o prazer de conhece-la futuramente... (Z&A,13/08/90)” / “...Fiquei feliz pelo sinal de vida que você deu. Foi bom saber suas notícias... Estou torcendo pela sua realização ao lado de Luciana... (Pe. C., 04/09/90)” / ...].

Neste contexto gostaria de confessar uma coisa bem íntima. Do ponto de vista sexual, Luciana foi minha primeira e única mulher. Com 37 anos, tendo vivido tanto tempo longe dos pais, tendo já morado em “república” (CEUSC), tendo já passado tanto tempo nos ambientes estudantis universitários, tendo já viajado pelo mundo... Eu conseguira guardar ainda um ‘troféu moral’ – Certamente devido a influência religiosa de minha família e a proteção de Maria Santíssima! – e que era o meu segredo maior nesse assunto. E se não havia feito até então, não fora por defeito físico, nem por falta de tentações e oportunidades; mas porque gostaria de continuar fiel à minha vocação e chegar a ser um padre assim... E se tivesse sido, creio ainda que estaria nesse estado... E não se tratava de pura ingenuidade; pelo contrário, sobre esse assunto eu já havia adquirido maturidade e cultura para saber “de tudo” o que pode acontecer entre um homem e uma mulher. Aliás, se por um lado, assim eu me tornara menos casto e puro, por outro lado, tais conhecimentos me davam, como que uma ‘solidariedade’ para com a maioria das pessoas que vivem escravizadas ao sexo, ao ponto de acreditar que tudo isso poderia a vir a ser útil para melhor compreender e aconselhar, quando já fosse padre, no ministério do sacramento da Confissão, ajudando-as sem me escandalizar de nada... Mas, enfim, aquela que teve a honra de me amar e ser amada, fazendo-me experimentar – o que a Bíblia chama – uma “faísca de Iahweh” (Ct 8,6), foi Luciana, minha querida esposa: aquela que, surgindo de repente, despertou minha vocação matrimonial... e deu-me uma “Ecclesiae domestica” para me aquietar... E agora somos cinco; o casal e três filhos: DEISE (01/11/90), CLÁUDIO (08/03/92) e ANA CAROLINE (05/11/93).

Sem dúvida, uma das fases mais lindas da minha vida! (Só não está sendo melhor devido as dificuldades financeiras, de moradia, de trabalho...)

Moradias, empregos e desacertos

O momento da saída da Casa Paroquial (Plataforma) deu início a uma nova fase – ou poder-se-ia dizer “uma nova novela” – na minha vida. Tendo, a partir de então, que buscar trabalho, moradia, etc. etc. Não é difícil imaginar as novas dificuldades que enfrentei...

Comecei em Vale dos Lagos, num apartamento emprestado por meu irmão... Voltei para o “Sodrézinho”... Fui para Ilha Amarela... Fui para Cajazeiras... Voltei para o Sodré... E finalmente, voltei para Ilha Amarela, onde estou atualmente.

A nível de trabalho: de início, recebi da Ir. Joana uma carta de apresentação para o jornal A TARDE; mas não fui aceito pela justificativa de que meu curso de Comunicação não seria aceito pelo Sindicato, e tal... Depois, fui Vendedor/Representante da Encyclopaedia Britannica... fui Agente/Vendedor de ouro, da Gold Invest... Fui vendedor dos produtos Europa (filtros de água potável)... Quase fui gerente de uma locadora de vídeo... Quase montei um negócio próprio... Atualmente estou mais ligado a trabalhos com informática...

A TIC-TAC

Desde 1991 eu já prestara alguns serviços de datilografia para o casal Belinha & Romilson (minha irmã e meu cunhado), enquanto eles promoviam peças de teatro infantil... Mas, tendo que costurar e criar vários modelos de fantasias para suas peças teatrais, essa minha irmã acabou por montar um ateliê de costura em sua própria residência e, já no final de 1992, decidira por abrir uma empresa transformando o ateliê numa loja de aluguel de fantasias. E assim, continuei ajudando nos trabalhos da loja e, em maio do ano seguinte passei a integrar oficialmente o quadro de funcionários. A loja estava começando.... então, havia muito trabalho e pouco dinheiro... mas havia também o sonho forte de transformá-la numa loja grande e lucrativa. Hoje, já no seu 5º ano, a Tic-Tac ainda está crescendo. Havia começado no Costa Azul; mudou-se para a Boca do Rio e hoje funciona no Caminho das Árvores. Profissionalmente, eu me orgulho de ter dado minha contribuição para essa loja, e sinto-me também grato pela oportunidade que tive – E ainda estou tendo! – de também crescer profissionalmente nela e com ela.

O concurso do BB

Em 17/07/1992 passei no concurso público do Banco do Brasil (cuja inscrição acontecera em 02/09/91!). Foram cerca de três milhões de candidatos disputando duas mil vagas! No entanto, a expectativa do chamado prolongou-se por mais de 3 anos e não deu em nada até hoje! Todavia, para mim, e minha família, foi um rebuliço! Me explico: antes desse concurso eu tinha ido ao Rio de Janeiro, e recebido de minha irmã, mais velha, e seu marido, um proposta de mudança para lá, pois que eles tinham uma mercearia e eu poderia trabalhar com eles inicialmente... A sobreloja da mercearia seria o lugar da minha residência, com Luciana e as crianças... etc. Retornando à Bahia, alimentei essa possibilidade, com Luciana, e começamos os preparativos para essa mudança. Todavia, logo que saiu o resultado da minha aprovação no concurso, reavaliamos que seria melhor continuarmos aqui em Salvador, uma vez que, provavelmente, eu logo seria chamado... Mas não. O concurso caducou e as dificuldades continuaram...

A informática

Meus primeiros contatos com a Informática foram durante o curso de Física, na UFBa, quando estudei Basic e Fortran, dentro da matéria de Processamento de Dados. Naquela época (1977), o contato físico com a máquina (o computador) não existia: os estudantes faziam os programas em cartões que eram depois perfurados e rodados por professores, auxiliares... sei lá.

Já em 1993, Romilson havia adquirido um computar para sua casa... Um “286”... E foi nesse computador que eu comecei a praticar o pouco da informática que eu já sabia e a prosseguir estudando mais coisas, ao mesmo tempo que ia ajudando a realizar alguns serviços para a Tic-Tac.

Depois que esse computador foi instalado na loja (Tic-Tac), então eu acelerei os trabalhos e os estudos. Em síntese: passei um ano aprendendo Supercalc e cheguei a desenvolver, com esse software, vários formulários e o Sistema de CAIXA (que ainda está sendo usado na Tic-Tac, mas que já está superado no mercado de informática). Aprendi também o Dbase III, e desenvolvi um primeiro programa para cadastramento de Fantasias e tantos outros; inclusive o SYSTAC...

Em 95 fiz, na DATA CONTROL, o curso de Windows, Access, Excel e Word...

Hoje sei que já aprendi muito mais... mas sei que o que falta aprender é ainda maior... Todavia, eu também já tenho o meu computador em casa (um “Pentium...”)... e meus filhos também já estão “mexendo”: a menor (Caroline, com 3 anos) já consegue mover o “mouse” para posicionar a setinha numa figura na tela e clicar direitinho... O Claudinho (5 anos) gosta mais de um jogo de corrida de carros...Já a maior (Deise, com 6 anos), tem agilidade em jogos e, como está começando a aprender a ler, já ensaia escrever ou ler alguma coisa na tela e a desenhar...

SITUAÇÃO ATUAL

A TIC-TAC de novo

Em 1995, devido ao contexto da recessão no País, a TIC-TAC esteve a ponto de fechar. Para evitar isso, precisou até dispensar funcionários... Eu, então fui dispensado de uma forma especial: fui oficialmente demitido mas continuei a prestar serviços para a mesma de forma autônoma, fazendo alguns serviços em casa, com o meu computador, e indo à loja quando requisitado ou quando o serviço é maior. Isso foi bom para mim, enquanto me deixava disponível para optar por outras oportunidade de empregos mais vantajosos e, por outro lado foi menos bom enquanto deixei de ter um salário fixo (R$ 400,00), para ganhar por produção, proporcional ao tempo de serviço. E continuo ainda nesse regime.

Por outro lado, desde abril de 96, minha esposa foi contratada pela Tic-Tac, passando a integrar o quadro de funcionários, como Auxiliar de Costura. Para Luciana foi bom como seu “1º emprego” e por ter tido a chance de deixar de fazer apenas os afazeres do lar e o cuidado das crianças para também crescer profissionalmente e ter o seu salário também. Por outro lado, foi ruim, enquanto teve que deixar nossos filhos pequenos aos cuidados de uma outra pessoa...

Dificuldade com a moradia

Mas essa ‘outra pessoa’ nem sempre fora uma constante, e nesses tempos eu também terminei ficando ainda mais ‘preso’ em casa por causa das crianças. Mas essa dificuldade tem sido um pouco amenizada graças ao fato da nossa residência ser no mesmo imóvel onde moram os avós e na mesma rua morar também outros parentes da família de Luciana. De modo que todos se ajudam como podem e quando podem. De qualquer forma, como já mencionei anteriormente, uma das nossas – falo de mim, minha esposa e meus filhos – uma das nossas maiores dificuldades tem sido também a questão da moradia. Depois de muitas mudanças entre Cajazeiras, Sodré e Ilha Amarela, estamos de volta, residindo no mesmo lugar que foi nossa primeira casa: uma parte da casa dos pais de Luciana. Uma parte isolada, no andar superior, com 2 quartos pequenos, sala, cozinha e banheiro. Um dos quartos foi transformado no meu ‘escritório’ e o restante da casa se torna de multi-uso conforme a necessidade. Nesse contexto, contamos como grande vantagem o fato de termos esta casa para morar, embora apertada, mas sem pagar aluguel; e, outra: a rua oferece pouco perigo de trânsito para as crianças. Resta ainda a possibilidade de se ampliar a construção do imóvel.... Mas aí paramos na disponibilidade de verbas para isso; ao menos por enquanto.

Para Luciana, todavia, a casa não oferece espaço e o conforto que ela e as crianças precisam; mas já criou uma idéia fixa: só sair daqui, quando for para nossa casa própria.

Para mim, quando estou só trabalhando no computador, parece que sobra casa; mas quando reparo que meus livros, fitas e tudo mais andam empilhados... Quando preciso de uma informação num livro, que sei que tenho, mas que não posso ter acesso... Não tenho dúvidas: preciso de mais espaço! As crianças também! Como seria bom se elas já pudessem ter o seu quarto, seu espaço para brincar, correr, guardar seus brinquedos, coisas da escola... Mas não: fica todo mundo disputando até o espaço do ‘escritório’! (Já não basta ficar todo mundo no mesmo quarto!?...)

Dificuldade financeira

Pois é, apesar de tudo, não estou revoltado com a minha situação atual e a da minha família; minha Fé não me permitiria uma coisa dessa! Eu também sei das dificuldades ainda piores por que passam tantas outros vizinhos dessa periferia da cidade... Mas também sei que tenho o direito de aspirar e buscar uma melhor qualidade de vida, sob todos os sentidos, para mim e minha família.

E aqui se descortina um aspecto que muitas pessoas não conseguem entender: – Como é que eu, tendo o nível escolar que tenho, “depois de tantas formaturas!”, como dizem, esteja vivendo sob tal aperto que mal consigo pagar minhas contas e os empréstimos tomados. Até parece um “castigo”, já disseram. E não se trata de estar assim por causa de se esbanjar ou gastar o que se ganha com supérfluos, diversões... É que estou ganhando pouco para as necessidades atuais de minha própria família! Mesmo contando com a parte que Luciana ganha (R$ 148,00). É uma situação um tanto vexatória... tanto mais porque a pindaíba já se prolonga por quase dez anos... Parece um círculo vicioso... Não faço “algo” por falta de dinheiro, e falta dinheiro porque ganho pouco... Posso ganhar mais? Sim! E porque não consegui até agora? Não sei a resposta completa. Minhas tentativas de trabalho nesse período mostram o quanto busquei superar essa situação. Todavia, devo confessar que tenho mantido um, como que, ‘espaço de reserva para a Igreja’, ou para algo que venha me proporcionar uma realização mais plena. Percebo isso quando evitei de buscar, ou de permanecer num trabalho que me ocupasse todo o tempo e/ou onde o salário não fosse compensador. Ou quando passei a fazer Serviços Gráficos Informatizados, no meu computador, em minha casa, dando uma dedicação maior aos trabalhos oriundos de, e para, a comunidade paroquial; ou mesmo editando livretos de cunho religioso (Ex.: Bênção da Casa, Santíssimo Senhor, O Oficio de Nossa Senhora, panfletos para algumas pastorais, etc.) cujo maior valor não é o lucro. Alternativamente eu buscava também – E ainda busco! – um emprego maior (Ex.: Banco do Brasil, TTN, Auditor Fiscal,... ) mas até então não tive êxito. (Posso dizer “graças a Deus”!?) Cheguei até a passar no concurso do BB... Busquei me superar na Informática, e sei que progredi muito; mas, no contexto do mercado de trabalho, sei que estou ainda precisando aprender muitas e muitas coisas (relativamente, é claro!). Mas mesmo aqui tenho ficado sem poder dar novos passos devido a falta de recursos para comprar livros técnicos especializados ou mesmo tomar alguns cursos... Mas mesmo assim, por um lado eu já posso ser um professor; por outro, ainda sou aprendiz. E no meio deste dilema, me falta uma definição pessoal, uma garra de só buscar essa coisa ou só fazer essa coisa! Sei que não consigo me explicar bem! O que quero dizer é que estou com o coração meio dividido... Meu ideal religioso não morreu definitivamente e é em confronto com essa realidade que me sinto novamente em crise. Não se trata de se arrepender do casamento ou querer voltar ao seminário. Trata-se de eu querer superar minhas dificuldades atuais, melhorar de vida e dedicar-me ainda a uma causa maior, a nível pessoal e profissional. Acertar de vez.

Uma nova crise (ou a continuação da mesma?)

No segundo semestre do ano passado (1996) estive no Instituto de Física, da UFBa, a pedido de um professor que me havia solicitado algumas dicas de computação, e pude reencontrar alguns ex-colegas e ex-professores meus... E o assunto não ficou só em informática; fui orientado também quanto às minhas futuras possibilidades para voltar ao Instituto para fazer a pós-graduação em Física, etc. A perspectiva, do ponto de vista financeiro, me pareceu bastante tentadora: inicialmente eu poderia freqüentar algumas matérias para atualizar minha reciclagem; em seguida, me submeteria a uma prova; se aprovado para o mestrado, então pediria uma bolsa de estudos (no valor de cerca de R$700,00) para estudar em tempo integral, por cerca de dois anos. Depois dessa etapa, já poderia enfrentar o doutorado em Física, ganhando uma bolsa de cerca de R$ 2.000,00!

Tais informações deram início, em mim, o despertar da atual crise em que me encontro. A nível de dinheiro seria a “salvação da lavoura”, pois encontrava-me (e ainda estou) desempregado; mas a idéia de enfrentar a reciclagem – Isto é, ter que reestudar toda a Física... rever toda aquela Matemática difícil... – me senti desafiado, mas ao mesmo tempo acovardado: ao menos para começar já naquele ano! E o que seria da Teologia? Eis o dilema da crise! Como!? Se eu quase abandonara a Física, em 78, para seguir a vocação religiosa... Não a abandonei na fase daquele “fogo”, mas sim, depois de formado, e já se passaram mais de 15 anos... Fui a Roma, voltei... queria ser padre... desisti... E agora... Não! Eu não havia optado pela Teologia por motivos financeiros... Mas agora continuo impedido de continuar com a Teologia enquanto a mesma “não dá dinheiro”, “não é sequer um curso superior reconhecido profissionalmente no Brasil”... Por outro lado, meu amor pela Física não fora falso, mas, no contexto dessa minha história vocacional, eu tive que renunciar a essa carreira científica por causa de um amor maior que brotara: o amor maior pela Teologia e pela Igreja... mas que agora, na reviravolta da opção fundamental, não estão me dando a parte material que preciso para o sustento da minha família... E agora? O tempo urge! Retornar à Física, de novo, seria, e continua sendo, profissionalmente uma oportunidade que eu tenho em mãos, que está ao meu alcance, agora ou futuramente, como um direito adquirido pela minha formatura como “Bacharel em Física”. E da outra parte? Não seria melhor se eu pudesse ter, igualmente, uma mesma bolsa de estudo para continuar me dedicando à Teologia? O que faço de minha vida? O que é melhor: dedicar-me mais ao meu País pela Física ou à minha Igreja pela Teologia? Ou quem sabe unir as duas coisas através da Informática? Sei que as duas coisas não são necessariamente contraditórias... mas, no contexto de minha atual situação, o que pesa é a minha dúvida existencial na ânsia de acertar com a Vontade de Deus e também a da minha realização pessoal.

Creio que ainda sou um homem de fé e que a história de minha vida é uma prova disso. E nesse contexto insinua-se a pergunta chave: – Será mesmo que minha Diocese esqueceu que eu existo? Em torno desta, muitas outras perguntas ficam alimentando minha crise, enquanto não consigo, sozinho, encontrar as respostas certas. – Será que foi em vão todo o tempo que dediquei à Física, à Teologia, à Comunicação Social...? Será que aquele projeto da Arquidiocese, quando me enviou para Roma, foi jogado fora? E o Setor de Comunicação?... Até quando vou esperar uma solução? Será que eu deveria abandonar tudo e partir para outra? Será que eu deveria voltar para a Física e buscar o mestrado ou o doutorado? Ou será mais proveitoso agora investir mais tempo ainda na Informática e atingir o grau da profissionalização, a qual oferece salários altos para tais profissionais? De um modo geral, considero-me no “abc” tanto da Física, quanto da Teologia, quanto da Informática Ou será melhor montar uma microempresa? Uma gráfica? Ou somente um emprego bom...? Essas e tantas outras perguntas gravitam em torno de mim e têm me impedido de resolver o dilema de minha atual vocação e profissionalização.! Todavia, mesmo com tudo isso, há algo diferente das crises anteriores: é que continuo com minha alegria interior.... parece até que estou feliz! De fato, o que me deixa assim é que me sinto em plena comunhão com a Igreja. Aliás, jamais a deixei ou por ela fui deixado. Os valores do Evangelho, da Eucaristia, da devoção a Maria... tudo continua brilhando no meu coração! E este se arde, não sei se de dor ou se de frustração, quando sinto que eu gostaria de aprofundar mais os conhecimentos teológicos, ou quando sei que eu poderia evangelizar muito mais... Todavia, sinto-me pequeno: não sei direito o que quero.... Falta-me uma orientação... Sei que estudei muito, mas não me especializei em nada... Sei que precisaria continuar os estudos... Mas sei que estou preso nos laços da carência dos recursos financeiros e etc. etc. Cadê os velhos amigos? Fiquei isolado. “Morri” para muitos! Cadê as correspondências? Pessoalmente, também “enterrei” muitos talentos: violão, piano, fotografia,...

Não estou arrependido de ter-me casado nem de ter desistido de ser seminarista. Digo isto porque estou indo bem na vida conjugal e o dom da esposa e dos filhos, embora tenha suas dificuldades inerentes, realizam-me como homem e pai. Sei que tudo poderia ter sido diferente se tivesse havido mais diálogo, mais isso, ou mais aquilo... Se eu não tivesse, talvez me apressado no casamento... Se... São tantos os “se” e os “talvez”, que isso não importa agora. Importa sim as realizações definitivas: estou casado; tenho mulher e filhos... Devo criá-los com a responsabilidade e a dignidade que o Deus Pai quer para todos os Seus. Mas estou aberto para novas realizações que não venham a contrariar essa opção fundamental. Portanto, estou e estarei sempre aberto para a Igreja, como um filho que nela cresceu e aprendeu que o sentido maior da vida é doação dessa mesma vida para que o Reino, que o Filho veio nos trazer, aconteça em todas as dimensões humanas e todos quanto acolham essa Graça venham a fazer parte da grande Família de Deus, pelo Amor, e se realizem eternamente.

Atuação Pastoral: catecúmenos, crisma e celebrações da Palavra

Depois que me tornei ex-seminarista fiquei desligado das atividades da Igreja paroquial, devido às minhas mudanças, etc. Mas, depois que me fixei onde resido atualmente, no bairro Ilha Amarela, Paróquia Mãe da Igreja, desde 1995, tenho podido atuar mais como simples leigo e como agente pastoral. No ano passado preparei uma turma de Catecúmenos e integrei a equipe de preparação de pais e padrinhos para o Batizado de crianças. Este ano estou apenas acompanhando os encontros de preparação para a Crisma (de uma turma de quase 50 adolescentes), como coordenador do grupo de casais e, desde abril, designado pelo Pe. Gaspar, estou presidindo as celebrações da Palavra, aos domingos, na Comunidade do Alto do Cruzeiro (já como parte integrante de meu, digamos, “estágio pré-diaconal”).

O pré-diaconato

Sobre esse assunto – o Diaconato Permanente –  vale dizer que trata-se de uma opção que estou começando a abraçar depois que também tive um colóquio, no início deste ano, com o Pe. Gaspar e conversamos um pouco sobre esses meus atuais questionamentos.

Posteriormente ele sugeriu minha inscrição na Escola Diaconal Diocesana (para os candidatos ao diaconato permanente) e fez uma carta de apresentação para o Bispo Auxiliar, Dom José...

No dia 01/03/97, participei pela primeira vez desse Curso, no Instituto de Teologia, assistindo a aula sobre Direito Canônico, lecionada pelo Pe. Aderbal. Confesso que gostei da aula e da oportunidade de poder rever essa matéria. E descobri que ainda tenho muito a aprender sobre a mesma. Aliás estudei essa disciplina, dentre outras, no meu curso de Teologia, na Gregoriana; mas, também como eu já disse anteriormente, lá foi tudo muito corrido e hoje parece que já esqueci tudo. Portanto o sabor da “revisão” fortaleceu em mim a vontade de prosseguir participando - Sem pressa de chegar à ordenação diaconal! - e ainda mais contando com a vantagem de já ter um farto material de estudo (trazido de Roma) em minha própria casa! (Tanto assim que depois desse dia fiz uma mudança no empilhamento dos meus livros e apostilas, deixando tudo o que era ligado a Teologia mais acessível... e fizera o propósito de reler tudo e até colocar algumas coisas no computador...).

A falha no curso da Escola Diaconal (Federação)

As aulas eram no sábado a tarde. Pensei que eram semanais... Mas não eram! Vim descobri isso depois de muitas semanas. Teve a primeira aula (01/03): Direito Canônico, com o Pe. Aderbal e Teologia dos Ministérios, com (.?.). Na semana seguinte (08/03) não pude comparecer... Na terceira (15/03), tudo bem (Liturgia, com o Pe. Rosélio e Teologia dos Sacramentos, com o Frei Gilson). Na semana seguinte (22/03) fui e não havia ninguém – e o pior: no local não havia nenhum aviso e no Seminário Central ninguém sabia informar porque não haveria aula. Na semana seguinte (29/03) fui, mas também não teve aula e então pensei que era por causa do Sábado de Aleluia. Já no dia 05/04 fui e assisti as aulas de Direito Canônico (com Pe. Henrique) e a de Liturgia (c/ Pe. Rosélio). No dia 12/04 perdi novamente a viagem e a mesma história: não havia aviso e ninguém sabia explicar. No dia 19/04, não fui... Dia 26/04 fui e tornei a perder a viagem. A partir de então decidi não ir mais até saber o que estava acontecendo de fato. Foi aí então que o pe. Gaspar me informou que as aulas eram quinzenais!!!... coincidiu então que em alguns dias que eu faltei, foram os dias que houvera aula. E a do dia 05/04 fora a que devia ser no dia 29 e que, certamente, ficara transferida para a semana seguinte.

Nisso tudo o que mais me chateou é que fora entregue uma ficha preenchida com nome, endereço, telefone, etc.... e havia também listas de chamada para cada matéria... E pra que tudo isso? Se até hoje ninguém de lá me ligou para me perguntar porque eu não estava - E ainda não estou! - indo (Se é que existe alguém lá para notar essas faltas!) ou para ter a delicadeza de controlar a passagem das informações necessárias para os novatos! E prá que então uma Carta de Apresentação, para o bispo auxiliar, se até então eu só o conheço de vista e ele nunca me viu! (Parece incrível, mas é sério!) Sei que não existe uma vontade deliberada de ignorar a gente, mas, nesses momentos, parece que é assim mesmo! E acaba sendo assim, por culpa daqui e dali... porque acham que a gente já devia saber... e, resultado: a gente fica com a impressão que é apenas mais um na multidão... E aquela expectativa de estar dando um passo importante... se comprometendo com uma causa nobre... se esforçando para dar uma resposta positiva a um apelo...

CONCLUSÃO

Eis também porque, V. Eminência, decidi por fazer esta carta-dossiê sem pensar em economizar papel possibilitando-lhe de me conhecer um pouco melhor, e assim, ajudar a cumprir o Evangelho que diz: “O Bom Pastor conhece as suas ovelhas”.

Certamente que deixei de relatar aqui muitas coisas que não considerei oportunas. Por exemplo, nada falei sobre nascimento dos meus filhos... A emoção de ser pai... de sentir aquele cheirinho de bebê... Louvado seja Deus! E também, propositadamente, deixei de relatar sobre minhas muitas falhas, minhas imperfeições e meus muitos pecados. Apesar desta omissão, gostaria de manifestar à Igreja-Diocese, através do seu Pastor, a quem me dirijo nesta carta, o meu pedido de desculpas e perdão pela parte que, provavelmente e de alguma forma, devo tê-la ferido, ofendido ou não correspondido, seja na pessoa dos seus Ministros, seja na pessoa de seus mais humildes Membros — pessoas que conheci pessoalmente e pessoas que apenas esperavam mais de mim. E a todos rogo muitas preces para que Deus me ilumine e conduza minha vida — e a de minha esposa e meus filhos, e também todos meus familiares e amigos — pelos caminhos do amor aos irmãos, à Igreja e à salvação eterna.

Se um irmão ou uma irmã não tiverem o que vestir e lhes faltar o necessário para a subsistência de cada dia, e alguém dentre vós lhes disser: ‘Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos’, e não lhes der o necessário para a sua manutenção, que proveito haverá nisso?” (Tg 2,15s).

Rogando sua bênção, coloco-me à Vossa disposição para quaisquer esclarecimentos quando, e se, V. Emcia. julgar oportuno. Gostaria desde já, informá-lo que a extensão e a precisão das informações contidas nesta carta-dossiê só foram possíveis graças à minha memória e ao meu arquivo de documentos pessoais que, graças a Deus!, ainda estão conservados... Inclusive muitas fotos de alguns desses momentos... Enfim, gostaria também de declarar que V. Emcia. pode dispor livremente, sem nenhuma restrição, do conteúdo desta carta-dossiê, como uma carta-aberta, que pode ser partilhada com outros membros da Igreja, se assim considerardes correto, oportuno, conveniente e/ou necessário.

Em Cristo e Maria, rogo Vossa benção!





CARLOS EDUARDO DA SILVA


Rua da Patota, 99-E

Ilha Amarela (Plataforma)

CEP 40.715-260 - SALVADOR (BA)

Tel. 533-5520 (virtual)





LISTA DOS DOCUMENTOS (cópias) EM ANEXO:



  1. CURRICULUM VITAE de Carlos Eduardo

  2. Certidão de Nascimento de CARLOS EDUARDO (27/03/55)

  3. Certidão de Batismo DE CARLOS EDUARDO (27/07/81)

  4. Certificado de Conclusão do Curso Ginasial - GINÁSIO PAULO VI (01/03/73)

  5. Histórico Escolar do 2º Grau - COLÉGIO ESTADUAL DA BAHIA (10/01/74)

  6. Carta do Pe. Luigi Bellopede (02/02/78)

  7. ESPECIAL PARA VOCÊ - Nº 1” (Agosto/79)

  8. Coleção de Carteiras Estudantis: da UFBa e outras

  9. Diploma de Conclusão do Curso de Física - UFBa (10/01/80)

  10. Carta de Carlos ao BANEB, pedindo sua demissão (02/02/81)

  11. Atestado de Admissão no SEMINÁRIO CENTRAL DA BAHIA (11/03/81)

  12. Carta de Carlos para D. Avelar (28/04/82)

  13. Carta de D. Avelar para Carlos (27/05/82)

  14. Certificado do CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, no SCB (10/06/82)

  15. Carta de Carlos para o Pe. J. Mendes, em Roma (18/06/82)

  16. Carta do Prof. Paulo ao Pe. Mendes (24/06/82)

  17. Carta de D. Avelar ao Pe. Mendes (27/06/82)

  18. Carta do Pe. Mathon ao Reitor do PIO BRASILEIRO (28/06/82)

  19. Carta do Pe. Mendes para Carlos Eduardo (19/07/82)

  20. Histórico Escolar do Curso de TEOLOGIA na UCSal (03/09/82)

  21. Cartas Dimissórias” de D. Avelar (24/05/84)

  22. Certificado do RITO DE ADMISSÃO, em Roma (03/07/84)

  23. Atestado do Curso Intensivo de Língua Grega (14/03/85)

  24. Certificado do LEITORATO, em Roma ((04/05/85)

  25. Certificado do ACOLITATO, em Roma (05/06/85)

  26. Trechos de uma carta de D. Avelar... (06/06/85)

  27. Folheto publicitário do SPICS (1985)

  28. Perfil de CARLOS EDUARDO, segundo a equipe didática do SPICS (17/06/86)

  29. Diploma de Conclusão do CURSO DE TEOLOGIA - GREGORIANA (28/06/86)

  30. Atestado de CARLOS como aluno do SPICS (17/06/86)

  31. Histórico Escolar do CURSO DE COMUNICAÇÃO, no SPICS (85-86)

  32. Histórico Escolar do CURSO DE TEOLOGIA (28/10/86), na GREGORIANA (83-85)

  33. Reitor do Pio Brasileiro declarando CARLOS como aluno, de 82-86 (12/11/86)

  34. Recorte de jornal: “Seminarista participou de missas com D. Lucas” (A TARDE, 14/07/87)

  35. Certificado do SEMINÁRIO SOBRE COMUNICAÇÃO SOCIAL (23/09/88)

  36. Certidão de Casamento: CARLOS & LUCIANA MALTA DA SILVA (08/01/90)

  37. Certidão de Nascimento: DEISE MALTA DA SILVA (08/11/90)

  38. Certificado de Acompanhamento do CURSO PRÁTICO DE ELETRÔNICA (16/03/92)

  39. Certidão de Nascimento: CLÁUDIO MALTA DA SILVA (07/04/92)

  40. Certidão de Nascimento: ANA CAROLINE MALTA DA SILVA (17/11/93)

  41. Folheto publicitário da empresa TIC-TAC: Aluguel de Fantasias

  42. Certificado do Curso BÁSICO DE CONTABILIDADE, pelo FIEB/SEBRAE (27-31/03/95)

  43. Certificado dos cursos WORD, ACCESS e EXCEL pela DATA CONTROL (05/10/95)

  44. Ficha de Inscrição na ESCOLA DIACONAL (14/02/97)

  45. Documento de Identidade RG

  46. Documento do CPF

  47. Catálogo de Impressos & Serviços - SGI (Dez/96)

FIM

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