Carta do PAPAI pela morte da MAMÃE_(22-09-1961__#317#

Carta do Papai pela morte da Mamãe_22-09-1961 (Leitura feita por Carlos =
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TEXTO DA CARTA:

Cícero Dantas, 22 de setembro de 1961.

 

 

Apagara-se o sol. E extinguira-se-me todo o sentido da vida. É morta minha ROSE. Não. Não está morta, continuará para sempre na memória de todos os que tiveram a ventura de conhecê-la. Rose era o sol da minha vida: era a vida de minha vida. Era o tudo de tudo. Findara-se, ou melhor, fora para o que Nosso Senhor já lhe havia reservado – o céu. Morreu uma santa. Não, não morreu uma santa, - passara-se desta para a outra vida. É a predestinação. Mas, o consolo: quando os santos se vão a gente tem a impressão que não se foram, que permanecem com o mesmo sentido anterior. Foi assim. Rose era uma santa. Digo-o eu, que convivi quase duas décadas, em meio a maior harmonia, entrosados todos os pontos de vista, concorde em todos os sentidos, até mesmo para a morte. Quem assistiu o seu fim também dirá que D. Rose era de elevado grau de santidade.

O F A T O – No dia 16, sábado, sentira os primeiros sinais da maternidade. A parteira fizera tudo e a délivrance foi normal, ás 3 horas da manhã de domingo: nascera muito mimosa a caçula MARI ROSE DA CRUZ E SILVA. Uma hemorragia, de permeio, pos um hiato, um suspense. O médico fora chamado e tudo se concluiu satisfatoriamente. E o médico regressa à sua residência. Nova hemorragia atinge o auge de desespero. Volta o médico, aplica todos os recursos ao seu alcance, o pulso desapareceu... A vida desapareceu, num relance, abençoando tudo, pedindo perdão a Deus dos seus pecados (quais eram esses pecados, se os não tinha e entregando à minha irmã os cuidados das crianças seus oito e agora nove Tesouros), com certeza até minha volta! Eu estava ausente.

O desespero atingiu também o auge. A nossa rua que era sempre “pacata” transformara-se num redemoinho de gente. A cidade inteirinha compareceu. O choro foi terrível, contagiante, até os homens choravam. E aquele mole humana acompanhou-a ao cemitério, cujo sepultamento deu-se, ás 17 horas do mesmo dia 17, fatídico. Foi o maior enterro de todos os tempos ocorrido nesta cidade. Contam que após a délivrance recendia um cheirinho de rosas; porém a maior admiração era o rosto, autêntico, duma santa, sorrindo. Todos não se cansaram de ver e bateram várias fotos. Quanto vale uma santa!

Eu já havia alugado e mobiliado uma casa em Itabuna onde íamos morar, apenas aguardando noticias para vir buscar a todos, pois o neném viria ao fim, ou princípios de outubro. Recebi os telegramas ao meio dia de 19 e quando cheguei a 20, só encontrei a desolação, o pranto, a dor... A dor suprema... Inenarrável... Nunca mais verei minha Rose, nunca, nunca... Nem sequer assisti ao seu enterro. Só no céu, onde está com certeza!

Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. E aos seus filhos, Maria Nupciana, Maria Aurora, Maria Luiza, Terezinha Maria, Luiz Boaventura, Carlos Eduardo, Sarbélia Assunção, José Francisco de Fátima e MARI ROSE DA CRUZ E SILVA.

        Pedro M. da Silva

           O papai















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